segunda-feira, 31, agosto , 2026 10:56

O genocídio oculto: o comércio arábe-islâmico de escravos

Falar sobre as culpas do Ocidente, na verdade, abre muitas portas. Por outro lado, criticar outras culturas significa aventurar-se em um campo minado. Arriscam-se acusações — e denúncias — de racismo, etnocentrismo, islamofobia (caso se trate do mundo muçulmano) e fascismo. A deslegitimação sistemática do Ocidente, em curso há décadas, exige que, por comparação, sobre outras culturas e sociedades só se fale bem ou, se não for possível, que se cale.

É por isso que praticamente nunca se fala, por exemplo, do tráfico árabe-muçulmano de africanos. Demonstra, portanto, coragem a editora Massari ao decidir publicar na Itália o livro, O genocídio Velado: Investigação Histórica, de de Tidiane N’Diaye. Ela tem coragem e deve ser agradecida, pois é graças à iniciativa que finalmente é possível conhecer, também na Itália, esta página dolorosíssima da história dos povos negros e de toda a humanidade.

O tráfico árabe-muçulmano de escravos africanos durou do século VII ao século XX, sem interrupções. Escravizou e deportou entre 12 e 18 milhões de pessoas. O comércio se desenvolvia por duas rotas: a terrestre, transariana, para levá-las da África Central e Ocidental ao Norte da África; e a marítima, das costas do Oceano Índico em direção ao Oriente Médio, Pérsia e Índia.

O que tornou isso possível foi outro evento histórico silenciado ou até mesmo negado: a colonização árabe-muçulmana do continente africano, iniciada pouco depois da morte do profeta Maomé, em 632. Há uma convicção amplamente compartilhada de que existiu apenas uma colonização da África — a europeia, ocorrida muitos séculos depois — e a única deportação de africanos escravizados a ser contada e comemorada é a transatlântica, que levou cerca de 12 milhões de africanos para as Américas ao longo de quatro séculos, entre os séculos XVI e XIX.