sexta-feira, 11, setembro , 2026 06:30

Para cada empregado no setor privado, Brasil tem 2,36 pessoas dependentes do governo

Há um Brasil que trabalha para produzir riqueza e pagar impostos — e há um Estado cada vez maior para distribuir esses recursos. O tamanho dessa conta aparece quando se colocam alguns números sob análise: de um lado, o país tem 39,4 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado; de outro, 93 milhões de beneficiários de programas sociais, aposentados e servidores públicos que dependem diretamente do Estado para poder sobreviver. Em outras palavras: para cada trabalhador no setor privado, o país tem 2,36 pessoas que dependem dos cofres públicos para sobreviver.

A comparação expõe uma questão que costuma desaparecer no debate sobre o tamanho do Estado: quantas pessoas precisam da máquina pública para receber sua renda e quantas estão diretamente inseridas na economia privada que gera a maior parte da arrecadação que financia essa estrutura?

Os dados do IBGE são claros quanto ao desequilíbrio nessa balança. Números da PNAD Contínua mostram que no Brasil há quase 40 milhões os empregados formalmente no setor privado. Já os dados do CADÚnico, cadastro responsável pela contabilização dos beneficiários de programas sociais, revelam 49,7 milhões de pessoas que recebem o Bolsa Família, um desses programas. Beneficiários do BPC, outro programa social do governo brasileiro, somam mais 6,4 milhões de pessoas.

Assim como com o Bolsa Família, há uma fatia dessa população que depende única e exclusivamente dessa renda transferida pelo Estado para sua subsistência. Os dados oficiais permitem uma filtragem que mostra quantos desses beneficiários integram famílias onde ninguém trabalha, formal ou informalmente. Esse contingente chega a 5,5 milhões entre quem recebe o BPC e outros 16,7 milhões dentro do Bolsa Família.