Daniel Vorcaro
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Na realidade, delegado, sendo bem sincero, pelo fato dele ser do Banco Central, eu, de certo, tinha um cuidado maior para que as coisas, para que os fatos não transparecessem que era alguma coisa diferente do que era na realidade. Então, obviamente, existia essa preocupação. Mas, como eu disse, e aí eu posso falar depois quando o senhor quiser, o delegado quiser que eu relate um pouco mais de detalhes. Esse fato do investimento, do projeto social, dessas conversas, nada tem a ver ou nunca se confundiram com qualquer relação fática ou contextual do Banco Master e de Supervisão, isso eu tinha um cuidado muito grande para não misturar, por diversos momentos eu obviamente tinha preocupação de zelar por isso.
Albert Paulo: Eu vou apresentar para o senhor mais um diálogo. Nesse diálogo, mais uma vez, o senhor questiona se os pagamentos estão saindo do banco. O senhor Zettel disse que é do banco para a Super e depois eu pago. E o senhor fala que mesmo que indiretamente não pode. E se irrita, inclusive, com o fato de ter sido feito dessa forma. Me fala o caminho, então, pergunta do Sr. Zettel, empresa do Leo, etc. E seguem outras mensagens nesse sentido. O senhor falou que, quando for possível, o senhor vai falar em detalhes. A oportunidade que o senhor tem para falar em detalhes é agora, fique à vontade.
Daniel Vorcaro: Em detalhes sobre a relação, sobre a escala?
Albert Paulo: Sobre a relação com a Super, com o Banco e esses pagamentos que foram feitos para o projeto do Belém de Santana.
Daniel Vorcaro: Bom, na realidade, essa última mensagem aí, eu sempre tive um cuidado, desde que o banco passou a sofrer uma perseguição concorrencial de outros bancos e midiáticas, e desde que passaram a ingressar no banco outros sócios, eu sempre tive a preocupação de colocar de uma maneira separada as minhas questões pessoais, e até mesmo para não haver exposição de investimentos pessoais, de coisas pessoais minhas, ou de estruturas que eram ligadas a mim. Então essa preocupação daquela mensagem com o Fabiano era uma preocupação não somente com o caso do Belline, específico, mas com vários outros, eu não gostaria de comunicar e nem de ter exposição de questões particulares minhas dentro do banco, uma vez que eu era presidente e controlador, e houveram casos que ocorreram isso, exemplo, utilização de cartão de crédito meu em determinado local por questões internas que não venham ao caso aqui. Então, eu tinha essa preocupação, delegado, de fazer uma diferenciação em coisas que não eram relativas ao banco ou que não eram inerentes ao banco. Eu queria deixar separado. Ao final, por exemplo, eu utilizava, inclusive, cartão de outros bancos, o que não é nem… Não seria natural, num momento normal, de ser feito, uma vez que eu tinha toda a estrutura dentro do próprio banco. Mas eu fazia isso por uma questão de dizer… disposição pessoal e não especificamente sobre esse caso do Bellini. E o que eu gostaria de reiterar, delegado, sobre esse caso é que o Bellini, e aí depois eu posso falar especificamente do Paulo Sérgio, eu nunca, em qualquer momento, pedi qualquer benefício para o senhor Bellini. Eu nunca recebi do senhor Bellini nenhum benefício, ao contrário, o Banco Central por conta de todas as perseguições que eu espero um dia ter a oportunidade de relatar ao senhor e à Polícia Federal o que aconteceu efetivamente e aqui eu não tô me vitimizando, na verdade eu tenho interesse em expor esse caso, tenho interesse em falar, eu até agradeço ao delegado de estar me escutando porque tem nove meses que eu tô tentando falar e estou tentando falar, colaborar com a algumas investigações e não tem conseguido. Então, eu agradeço e aprecio, inclusive, um dos últimos inquéritos que foram abertos, o delegado já me escutar, eu acho que vai facilitar e, no mínimo, os senhores todos podem ter um outro lado da história. No caso do Belim, especificamente, eu nunca tive nenhum nenhum benefício, nem dele, nem de Paulo VI, nem de ninguém do Banco Central, haja vista a situação hoje do Banco Liquidado. Na realidade, eu fiz um trabalho muito grande de reestruturação do Banco desde lá de trás, do Banco Máxima, que requereu bastante contato com o Banco Central, que requere bastante esforço da minha parte para poder resolver as questões que eram necessárias dentro da normativa do Banco Central. Esse contato era natural, ele é natural do Banco Central com outros bancos, a diferença no meu caso é que ele era mais intenso que eu decidi fazer pessoalmente, dado a relevância dos momentos que o banco passou e dados os ataques que a gente estava sofrendo. Na minha opinião, delegado Bellini, e eu não tenho motivo nenhum para dizer isso aqui, eu estou passando, o delegado sabe, eu tenho não sei quantos enquetes, tenho muitos enquetes para poder tratar, Esse é o que é específico dessa questão do Banco Central, tem outros temas, inclusive de maior relevância, acho, de interesse da polícia, não tenho motivo nenhum de falar isso, mas o senhor Bellini, tanto o Bellini quanto o Paulo, são profissionais exemplares ali do Banco Central e a conduta deles, obviamente, em qualquer relação profissional, ao longo do tempo você vai tendo um pouco mais de intimidade nas tratativas, mas ela nunca foi uma tratativa que pudesse ser feito algum tipo de favorecimento para o banco. Ao contrário, eu sofri bastante nesses últimos anos com todas as demandas que me foram impostas, com todas as mudanças de regras que o Banco Central acabou realizando, por pressão de concorrentes dos grandes bancos, e eu precisei me esforçar muito e de ter muita interação com eles para poder conseguir superar isso. Obviamente, delegado, eu… Quando nas conversas ali com o Bellini e quando surgiu o interesse desse projeto social, obviamente era uma pessoa relevante, era uma pessoa ali que eu estava em contato diário, uma pessoa relevante do Banco Central. Eu não vou me aliviar de não dizer isso, mas não houve favorecimento, não houve ilícito na relação com ele. Tanto é que eu estou com o banco liquidado, tanto é que foi feito à luz do dia toda a tratativa. Se fosse para fazer algo que era ilícito, algo de corrupção, para corromper, não estaria tratando em mensagens abertamente, trocando documento, fazendo coisas formais. Então, ele foi feito de modo transparente, justamente porque não era algo que tinha interesse ou viesse de poder gerar algum benefício para o banco, porque, obviamente, aí é fato, o banco acabou não recebendo nenhum benefício, nem mesmo eu.
Albert Paulo: Perfeito. O senhor acompanhava esses pagamentos que eram feitos ao projeto?
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