terça-feira, 22, setembro , 2026 01:28

Diabo, sapato, 'bomba': relembre os momentos polêmicos que marcaram a Assembleia Geral da ONU


Diabo, ‘bomba’, e ‘homem-foguete’: Relembre momentos marcantes da Assembleia Geral da ONU
“O diabo esteve aqui. Sinto cheiro de enxofre”.
A frase, dita pelo então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, é uma das mais polêmicas e conhecidas da história do Debate Geral da Assembleia Geral da ONU. O evento reúne líderes dos 193 países membros das Nações Unidas. A edição deste ano começa nesta terça-feira (21), em Nova York.
Assim como no ano passado, o Debate de 2026 acontece em meio a guerras, crises humanitárias, mudanças climáticas e tensões entre grandes potências.
O tema escolhido para a sessão deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Ao longo das décadas, conflitos, rivalidades geopolíticas e disputas entre países provocaram momentos inusitados, constrangedores e até históricos nos discursos da Assembleia Geral.
A seguir, relembre alguns deles.
Chávez chama George W. Bush de diabo
Hugo Chávez durante Assembleia Geral da ONU
UN Photo/Erin Siegal
O ano era 2006, e Estados Unidos e Venezuela viviam um dos momentos mais tensos nas relações entre os dois países, então comandados por George W. Bush e Hugo Chávez. Chávez acusava Bush de ter apoiado a tentativa de golpe de Estado frustrada na Venezuela, em 2002.
O presidente venezuelano discursou na Assembleia Geral um dia depois do norte-americano.
“Ontem, o diabo esteve aqui”, disse Chávez logo na abertura do discurso.
Na sequência, fez o sinal da cruz e completou: “neste mesmo lugar, ainda cheira a enxofre”.
O sapato de Khrushchev
Nikita Khrushchev discursa na ONU em 1960
UN Photo/Yutaka Nagata
Outro episódio famoso aconteceu quatro décadas antes, em 1960, durante um dos períodos mais tensos da Guerra Fria. Naquele ano, o então líder soviético Nikita Khrushchev participava de uma sessão da Assembleia Geral quando o representante das Filipinas criticou a política soviética.
A história ficou ainda mais famosa porque, segundo relatos da época, Khrushchev teria reagido tirando um sapato e batido com ele sobre a mesa. Não há registro em vídeo do momento, e própria ONU trata o episódio como uma história cercada de dúvidas.
Oficialmente, o que se sabe é que Khrushchev de fato bateu na mesa durante a sessão e depois subiu à tribuna para fazer um longo discurso em resposta ao representante filipino. Anos depois, em um livro com memórias, o ex-líder soviético assumiu a responsabilidade pelo gesto.
Fidel Castro e o discurso mais longo
Fidel Castro na ONU na década de 1970
UN Photo/Saw Lwin
Já conhecido por pronunciamentos intermináveis, o então líder cubano, Fidel Castro, abriu o discurso na Assembleia Geral da ONU em 1960 garantindo que, apesar da fama, não demoraria.
A promessa não foi cumprida: ele falou por mais de quatro horas e meia. O discurso ficou marcado como o mais longo da história da Assembleia Geral.
Atualmente, as falas não costumam passar de uma hora e meia de duração, nos casos mais longos. Há uma orientação para que os chefes de Estado falem por apenas 15 minutos.
Trump chama Kim de ‘homem-foguete’
Donald Trump adota tom agressivo em discurso na Assembleia-Geral da ONU
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou para história logo no primeiro discurso dele como chefe de Estado na ONU, em 2017. Naquele ano, ele não economizou as tradicionais falas polêmicas na tribuna.
Em tom agressivo e ameaçador, Trump disse que, se não tivesse escolhe, “destruiria completamente” a Coreia do Norte. O presidente também chamou o líder norte-coreano, Kim Jong-un, de “homem-foguete”.
“Os Estados Unidos têm grande força e paciência, mas se forem forçados a defender a si ou a seus aliados, não teremos outra escolha além de destruir totalmente a Coreia do Norte”, disse.
Netanyahu e a réplica de bomba
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mostra ‘gráfico’ para ilustrar o risco de um Irã nuclear, em discurso nesta quinta-feira (27) na Assembleia Geral da ONU
Reuters
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também protagonizou um dos momentos mais marcantes da Assembleia da ONU. Em 2012, ele levou para o discurso um cartaz com a réplica de uma bomba.
A ideia era defender a tese de que o Irã estava muito próximo de desenvolver uma bomba nuclear. Treze anos depois, os dois países entraram em guerra pelo mesmo motivo.
No entanto, à época, o alerta acabou virando motivo de piada justamente pelo fato de Netanyahu ter apresentado um cartaz simples com um gráfico no formato de uma bomba.
Kadhafi ‘joga fora’ Carta da ONU
Khadafi na ONU em 2009
UN Photo/Marco Castro
Em 2009, o então líder da Líbia, Muammar Kadhafi, usou o discurso na Assembleia Geral da ONU para criticar a própria organização.
Kadhafi, que comandou a Líbia por 42 anos, passou boa parte dos 100 minutos do discurso atacando o Conselho de Segurança da ONU, órgão no qual o país ocupava um assento temporário naquele momento.
No meio da fala, ele pegou uma cópia da Carta das Nações Unidas, documento que criou a organização, e jogou o papel no chão, por trás do ombro.
Ahmadinejad e o 11 de Setembro
Delegação americana deixa a assembleia antes do discurso de Mahmud Ahmadinejad em 2010 na sede da ONU, em Nova York
AFP
Mahmud Ahmadinejad, então presidente do Irã e que ameaçava constantemente o Ocidente com armas nucleares, protagonizou a maior polêmica da sessão da Assembleia Geral em 2010.
Ahmadinejad umae o atentado contra as torres gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, foi na verdade, causado por um complô dos Estados Unidos.
O ex-presidente iraniano deu voz a uma teoria da conspiração de que o Pentágono estava por trás dos ataques, reivindicados pelo grupo terrorista Al-Qaeda.
Como reação, delegações inteiras de diversos países, como a do Reino Unido, da União Europeia, além, é claro, dos Estados Unidos, abandonaram a sessão durante o discurso.
Os Estados Unidos qualificaram as palavras de Ahmadinejad de “detestáveis e delirantes”.
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Fonte: G1