terça-feira, 29, setembro , 2026 10:08

Quem são os houthis, os radicais islâmicos que ameaçam o comércio global

Olhando para o mapa-múndi, é difícil enxergar o estreito de Bab el-Mandeb. Se, contudo, ajudarmos o observador desavisado dizendo-lhe que ele fica no ponto de interseção entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, então o local, as dimensões e a importância começam a ganhar certa consistência. Portanto, a notícia de que o movimento houthi ocupou em 12 de setembro a ilha de Perim, um pedaço de terra que vigia o estreito de Bab el-Mandeb, não deve deixar ninguém indiferente.

Para compreender a importância desse estreito, basta pensar que, embora tenha apenas 16 km de largura, ele constitui a passagem obrigatória para todos os navios que atravessam o Canal de Suez. As ligações entre a Europa e a Ásia são possíveis graças a essa “porta das lágrimas” (como diz o nome do estreito traduzido do árabe), que simbolicamente testemunha a dolorosa separação que marcou originalmente o destino dos dois continentes. Cerca de 12% do comércio mundial passa por essa faixa de água estreita entre o Djibuti, a Eritreia e o Iêmen, que conecta o Canal de Suez ao Oceano Índico.

Após o bloqueio do Estreito de Ormuz, promovido pela República Islâmica do Irã como ato de retaliação contra os Estados Unidos e Israel, o Mar Vermelho assumiu ainda mais centralidade na exportação do petróleo saudita. O ouro negro de Riade voltou, de fato, a fluir massivamente de leste para oeste, na direção de Yanbu — na costa do Mar Vermelho — por meio do oleoduto Petroline. Mas, no início do mês, os ataques desferidos pelos houthi e a recente tomada de posse do estreito de Bab el-Mandeb levaram o país mais importante do Golfo a fechar o oleoduto e a suspender as exportações.

Observando o desdobramento dos acontecimentos, é difícil constatar um êxito, ao menos por enquanto, da estratégia de Washington e Tel Aviv. A primeira lição a tirar do conflito no Oriente Médio é que quem controla as rotas estratégicas já venceu metade de uma guerra, mesmo na era dos drones e dos sistemas de armas autônomos e, sobretudo, mesmo enfrentando a maior potência global.