sábado, 10, outubro , 2026 11:47

Papa Leão XIV diz que pena de morte é 'inadmissível' em meio a planos dos EUA de transmitir execução ao vivo


Papa Leão XIV
Benoit Tessier/AFP
O papa Leão XIV afirmou neste sábado (10) que a pena de morte é “inadmissível” e representa um ataque à dignidade humana. A declaração ocorre em meio à polêmica provocada pelos planos do governo dos Estados Unidos, país natal do pontífice, de transmitir ao vivo a execução de um ex-militar condenado por matar 13 pessoas.
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A manifestação foi publicada nas redes sociais por ocasião do Dia Mundial contra a Pena de Morte. Sem mencionar diretamente o governo americano, Leão XIV defendeu que é possível proteger a sociedade e garantir a aplicação da Justiça sem recorrer à execução de condenados.
Em publicação no X, o papa afirmou que os sistemas prisionais atuais permitem proteger a população sem retirar dos condenados a possibilidade de redenção. A mensagem foi acompanhada da hashtag #NoDeathPenalty (Sem Pena de Morte, em português).
A declaração ocorre dois dias depois de o Pentágono anunciar que transmitiria ao vivo o fuzilamento de Nidal Malik Hasan, ex-major do Exército americano condenado pelo ataque à base militar de Fort Hood, no Texas, em 2009.
ONU repudia decisão do governo Trump de transmitir execução de ex-militar condenado à morte
Hasan matou 13 pessoas e feriu outras 32. Condenado à morte em 2013, ele tem execução marcada para 3 de dezembro, na mesma base militar onde ocorreu o ataque.
O presidente Donald Trump autorizou a execução, mas afirmou na sexta-feira (9) que o Departamento de Defesa ainda não havia tomado uma decisão definitiva sobre a transmissão ao vivo.
Vaticano critica transmissão de execução
Na sexta-feira (9), o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, criticou diretamente a proposta americana e afirmou que transformar uma execução em espetáculo é inaceitável.
“Certamente, não é aceitável que se transforme a morte em espetáculo. Por mais que, naturalmente, a pessoa seja culpada, existem outros meios”, declarou Parolin, segundo o Vatican News, serviço oficial de notícias do Vaticano.
O cardeal também reiterou que a Igreja Católica se opõe à pena capital por considerá-la incompatível com a dignidade humana. Segundo ele, a execução de condenados não funciona como instrumento de prevenção de crimes.
A proposta do Pentágono também recebeu críticas de representantes da Igreja nos próprios Estados Unidos.
O presidente da Conferência dos Bispos Católicos americanos, arcebispo Paul Coakley, manifestou choque e profunda tristeza com o anúncio.
Em comunicado divulgado na sexta-feira, Coakley afirmou que a gravidade dos crimes cometidos por Hasan não justifica a decisão de transformar sua morte em uma transmissão pública. Ele classificou a proposta como uma promoção bárbara da cultura da morte e pediu que fosse reconsiderada.
Caso seja realizada, a execução de Hasan será a primeira promovida pelas Forças Armadas americanas desde 1961. O último fuzilamento militar ocorreu em 1945.
Igreja passou a considerar pena de morte inadmissível
A posição defendida por Leão XIV segue uma mudança formalizada pelo papa Francisco em 2018, quando a Igreja Católica passou a declarar a pena de morte inadmissível em todas as circunstâncias.
Até então, o Catecismo da Igreja Católica admitia a possibilidade de execução quando esse fosse o único meio disponível para proteger vidas humanas de um agressor.
A revisão feita por Francisco estabeleceu que a pena capital constitui um ataque à inviolabilidade e à dignidade da pessoa, independentemente da gravidade do crime cometido.
A oposição à prática já vinha sendo fortalecida durante o pontificado de João Paulo II, que defendia o fim das execuções e ressaltava que pessoas condenadas também deveriam ter sua dignidade preservada.
Assim como Francisco, Leão XIV tem dedicado parte de suas viagens a visitas a estabelecimentos prisionais.
Em abril, durante uma visita à prisão de Bata, na Guiné Equatorial, o pontífice afirmou aos detentos que eles não seriam abandonados por Deus e que a Igreja permaneceria ao lado deles.
O papa também tem uma visita a uma prisão de Buenos Aires prevista para sua próxima viagem à América Latina.
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Fonte: G1