terça-feira, 13, outubro , 2026 11:51

Sem diálogo e com chapa enxuta, União Brasil deixou de eleger deputado, diz Dilmar



O deputado estadual reeleito Dilmar Dal Bosco (União Brasil) fez um balanço crítico sobre a montagem da chapa proporcional do seu partido nas últimas eleições de Mato Grosso. Segundo o parlamentar, a decisão de lançar apenas nove candidatos a deputado estadual impediu que a legenda conquistasse ao menos três cadeiras no Parlamento estadual, terminando a disputa com duas vagas.

“Eu nunca escondi a minha tristeza de termos nove candidatos só para disputar uma eleição em que tínhamos o governador do Estado de Mato Grosso como presidente e hoje eleito o senador Mauro Mendes. Então, com nove nomes só disputando, lógico que é difícil”, avaliou Dal Bosco nesta quarta-feira (7).

O deputado revelou que, nas semanas anteriores à votação, temia que a legenda conquistasse apenas uma cadeira na Assembleia Legislativa (ALMT). “A certeza que eu tinha, faltando vinte dias, é que nós teríamos talvez só uma cadeira. Mas eu vi o crescimento e a continuação dos votos que eu tinha […]. Se nós tivéssemos talvez uns quinze candidatos, nós estaríamos com certeza com três deputados eleitos para defender o nosso partido dentro da Assembleia.”

Ao avaliar os motivos da redução do grupo, Dilmar Dal Bosco apontou falhas de articulação e desfalques expressivos durante o período de filiações, citando o caso do deputado Eduardo Botelho. “Lógico, faltou liderança, faltou a gente ter mais gente para apoiar, para estar mais dentro. Tiveram pessoas como o próprio Eduardo Botelho, que, pela votação dele, se ele estivesse no União Brasil estaria eleito também deputado estadual”, criticou.

Falta de diálogo e renovação

Para o parlamentar, o União Brasil precisa reorganizar sua dinâmica partidária no estado e promover uma aproximação com suas bases, diante da ausência de discussões internas nos últimos anos.

“Eu acho que nós temos que fazer reunião, porque nós não tivemos reuniões nos últimos anos. Nós precisamos conversar, se dedicar. O Mauro agora, como senador da República, talvez vai ter muito mais ocupado. Nós temos que rever isso aí para crescer novamente o partido”, cobrou, destacando a necessidade de formar novas quadros visando os próximos pleitos.

“Nós precisamos criar mais líderes dentro do partido. Nós temos líderes como o prefeito Paulinho Peixoto, Bruno Mena lá de Matupá […], o Juvan, que é ali de São José do Rio Claro. Então, nós temos várias pessoas novas que podem se tornar grandes líderes”, pontuou.

Apesar das ressalvas sobre a montagem partidária, Dilmar ponderou que a sigla garantiu posições estratégicas na majoritária e na proporcional, elegendo dois deputados estaduais, dois federais e um senador, além de integrar o governo estadual. Ele relembrou momentos delicados na trajetória do grupo político para demonstrar sua capacidade de reação.

“Em 2014, nós tivemos a maior dificuldade, o nosso partido teve dificuldade com o Pedro Taques. […] O senador Jayme Campos naquele momento, desistiu lá em 2014, e nós começamos de novo a reerguer o partido, a trabalhar. Em 2018, veio candidato a senador e ganhou a eleição. Eu acho que é um trabalho que tem de ser feito novamente. É você reanalisar o que erramos e tentar consertar”, relembrou.

O deputado também traçou um paralelo com a situação de partidos aliados na Assembleia, destacando o esvaziamento do Progressistas (PP) no estado.

“Você vê que o PP nós não fizemos ninguém, né? Nem federal, nem estadual. Agora nós vamos ter que fazer um trabalho. […] Nós temos que começar a trabalhar, andar no estado de Mato Grosso para a gente começar a ter mais representatividade para, lá em 2030, voltar com força total.”



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