terça-feira, 18, agosto , 2026 05:37

Desta feita, Fux beijou os pés de quem? Coragem a favor do crime é covardia

O voto durou 14 horas, com as pausas do almoço, mais longa, e as do xixi. Parecia estar cumprindo ou uma tarefa ou um ritual de punição de seus pares, já que deve ser voto vencido. Quem quer que analise sua peça infame no detalhe vai perceber que há sempre um “Outro” contra o qual ele fala; há sempre um adversário sendo combatido; há sempre um oponente ao qual precisa dar resposta. E quem é esse ente contra o qual dirige suas invectivas? Nada menos do que o Supremo Tribunal Federal, de que ele faz parte.

Os autos demonstram com fartura de dados que o golpe de estado só não aconteceu, no fim das contas, porque o Alto Comando do Exército não cedeu às articulações do presidente e de seus homens amestrados. Bolsonaro usou seu cargo, o aparelho do Estado e membros das Forças Armadas para tentar virar a mesa. Deu com os burros n’água, o que resta demonstrado pela delação de Mauro Cid e por um conjunto impressionante de provas autônomas.

Além de não se deixar contaminar pelas provas, entendeu que o Supremo, este sim, ameaça a democracia e o estado de direito porque tendente, ora vejam!, a sufocar a liberdade de expressão.

OS EXTREMISTAS
Seu voto, claro!, dará ânimo à extrema direita bolsonarista. Com um pouco de realismo, essa gente saberá que não há a menor chance de seu grande líder ser absolvido ou recuperar a elegibilidade no ano que vem. É evidente, no entanto, que a luta se desloca para o futuro. Que leitura farão do jogo?

A turma da “anistia” vai querer usar o “Jair inocente” de Fux para tentar ainda emplacar o nome do ex-presidente em 26? Vai insistir na candidatura impossível e, na hora h, escolher um nome da família? Depois de ser mimoseado pelo ministro, apostará, sei lá, num Tarcísio que lhe prometesse indulto? Qualquer das duas coisas é inconstitucional. Ainda que se eleja um extremista de direita, convém notar que o próprio Fux, Carmen Lúcia e Gilmar Mendes deixam o tribunal, respectivamente, em 2028, 2029 e 2030. Nessa hipótese, um Fux por outro daria na mesma. Uma mudança importante na composição só aconteceria no fim de 2030.

Obviamente, esse não é o Luiz Fux dos chamados “mensalão” e “petrolão”, sempre implacável. Nem aquele que, depois da anulação da condenação de Lula, tentou a todo custo impedir a aprovação da escancarada suspeição de Moro… Não! Esperem. Acho que erro. Esse é o mesmo Fux.

noticia por : UOL