Parlamentares da base do governo Lula (PT) e um de seus ministros criticaram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) por ter dito que se preocuparia com a falsificação de bebidas quando ela atingisse a Coca-Cola, em meio à crise de intoxicação por metanol por meio de bebidas alcoólicas contaminadas.
Em entrevista coletiva nesta segunda-feira (6), Tarcísio disse, em tom de brincadeira que não iria “se aventurar” a comentar sobre bebidas alcoólicas. “Não vou me aventurar aqui nessa área [de bebidas alcoólicas], que não é minha praia, está certo? No dia em que começarem a falsificar a Coca-Cola, eu vou me preocupar”, disse, acrescentando que consome a normal e não a zero.
O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), classificou a declaração como “um deboche com todas as vítimas, seus familiares e prejuízos causados por essa ação criminosa, que o governador sabe-se lá porque já descartou ser do crime organizado”, escreveu na redes sociais.
O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), cotado para ocupar um ministério, comparou a declaração de Tarcísio com fala de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19: “E daí? Eu não sou coveiro”.
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) fez a mesma associação. “É inconcebível que alguém trate isso como piada ou desdém, enquanto vidas são ceifadas”, afirmou nas redes.
Erika Hilton (PSOL-SP) disse que não tem palavras para descrever como se sentiu ao ver tal fala. “Há paulistas perdendo a visão, a vida ou sofrendo sérios danos à saúde por conta dessa crise no nosso estado. Mas o foco de Tarcísio é, por algum motivo, negar o envolvimento do crime organizado e tirar sarro do sofrimento das vítimas do metanol“, criticou.
Ela destacou também que o estado não tem “um plano de ação e comunicação para que a população não beba”.
Outros parlamentares que criticaram a declaração incluem os deputados federais Ivan Valente (PSOL) e Orlando Silva (PCdoB), que consideraram inaceitável a fala do governador enquanto pessoas estão sendo envenenadas. Marcelo Freixo, presidente da Embratur e filiado ao Partido dos Trabalhadores, também se manifestou em vídeo: “Falta seriedade. Falta compaixão. Sobra oportunismo. Com vidas não se brinca”.
Já os aliados do governador têm tratado como exagerada a repercussão negativa sobre a fala, em especial as comparações com a postura do governo Bolsonaro durante a pandemia.
Para eles, não houve indicativo de descaso com a situação do metanol, embora tenham admitido que, por causa do pânico na população, não é o momento para fazer brincadeiras. Um auxiliar do governo paulista ouvido pela Folha disse, sob reserva, que Tarcísio não mediu o impacto de sua fala e que ela fugiu ao roteiro.
Ainda segundo este auxiliar, a piada foi uma forma espontânea de tentar aliviar a tensão, já que ele gosta muito de Coca-Cola e o consumo do refrigerante é alvo de brincadeiras no Palácio dos Bandeirantes.
Nesta terça-feira (7), a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo atualizou os números relacionados à intoxicação por metanol. Até o momento, são 176 casos notificados, sendo 18 confirmados e 158 ainda em investigação. Em relação aos óbitos, são 10 no total, com três confirmados e sete sob análise.
O balanço também inclui 85 casos já descartados. Apenas hoje, 38 novas notificações foram descartadas após análises clínicas e epidemiológicas, enquanto outras 35 passaram a integrar a lista de casos em investigação.
noticia por : UOL



