sábado, 7, março , 2026 02:36

Em Fórum Global da ONU, jovens mulheres reimaginam a paz

Numa região marcada por narrativas de conflito, surge um novo tipo de liderança discreta, persistente e feminina.

O Fórum da Juventude, realizado na reunião da Aliança das Civilizações das Nações Unidas, Unaoc, em Riad, contou com a participação de jovens mulheres do Cáucaso.

De fronteiras a pontes

Elas estão redefinindo o que pode ser a reconciliação, não por meio de grandes negociações, mas de conversas em pátios, amizades transfronteiriças e sessões virtuais. Essas jovens não são diplomatas, são a próxima geração que está assumindo o protagonismo em diálogos sobre paz. 

À margem do Fórum, a ONU News encontrou-se com três delas: Ana Kuprava, da Geórgia, Maria Yesayan, da Armênia, e Shahim Afandiyeva, do Azerbaijão.

Ana lidera o projeto juvenil intitulado “De Fronteiras a Pontes”, uma iniciativa apoiada pelas suas amigas Maria e Shahana. Ela disse que a diversidade da Geórgia é frequentemente celebrada, mas a realidade quotidiana, especialmente em áreas remotas, é muito mais fragmentada.

O projeto reuniu 50 jovens de origem georgiana, armênia e azerbaijana, de grandes cidades e aldeias remotas onde vivem minorias. Através de módulos online e exercícios criativos, os participantes descobriram que a coexistência sempre esteve entrelaçada na história da região, mas havia sido esquecida.

Prevenção do extremismo e da radicalização

Shahana juntou-se à iniciativa a partir do Azerbaijão, participando em sessões sobre a prevenção do extremismo e da radicalização entre os jovens. Para ela, a confiança constrói-se lentamente, mesmo em sessões virtuais.

Ela lembra-se de como as conversas com as câmeras ligadas ajudaram os participantes a baixar a guarda.

Sobre o impacto, Shahana disse que os jovens provaram que não precisavam de recursos abundantes para combater o extremismo. O que precisavam era de intenção.

O Alto Representante para a Aliança das Civilizações das Nações Unidas, Miguel Ángel Moratinos, coloca com um grupo diversificado de jovens participantes no Fórum Juvenil da UNAOC em Riad, Arábia Saudita, em 15 de dezembro de 2025.

O alto representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (ao centro) com um grupo de jovens.

Mulheres no centro da construção da paz

Maria, da Armênia, destacou o papel que as mulheres desempenham nos processos de paz, especialmente em regiões com longas histórias de desconfiança mútua.

Apesar dos desafios linguísticos e das tensões políticas, os jovens envolveram-se, fizeram perguntas difíceis e desafiaram-se a si próprios.

A mensagem dela para jovens de todo o mundo é direta: “Precisamos nos levantar, falar e defender-nos uns aos outros. Todos podem fazer isso se realmente quiserem.”

A influência do projeto estendeu-se para além do seu fim formal. Os participantes mantiveram-se em contacto, enviaram perguntas de acompanhamento, adicionaram-na nas redes sociais e começaram a explorar a colaboração transfronteiriça.

Aprendendo a liderar

Para as três mulheres, o programa Jovens Construtores da Paz da Unaoc ofereceu orientação, ferramentas práticas e a confiança necessária para trabalhar com comunidades que, à primeira vista, podem parecer hesitantes ou divididas.

Elas aprenderam a elaborar projetos, avaliar riscos, comunicar entre gerações e construir confiança cara a cara ou através de telas.

As jovens relataram que a lição mais profunda foi que a mudança pode surgir e uma conversa num pátio, de uma história partilhada ou de um momento de reconhecimento.

Shahana afirmou que “a paz não pode ser construída apenas através da geopolítica” e perecisa ser mais inclusiva e humana, criada com envolvimento dos jovens.

Ana acrescentou que muitos participantes disseram ser a primeira vez que falavam com colegas de diferentes nacionalidades. Maria concluiu pedindo quie os jovens ejam criativos, entrem em ação e defendam-se uns aos outros.

FONTE : News.UN