terça-feira, 10, março , 2026 10:24

BRB propõe aumento de capital após rombo bilionário ligado ao caso Master




Entrada do BRB, Banco de Brasília, em 18 de novembro de 2025.
Reuters/Mateus Bonomi
O conselho de administração do Banco de Brasília (BRB) propôs aos acionistas um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões por meio da emissão de novas ações.
Na prática, o banco pretende vender até 1,68 bilhão de novas ações por R$ 5,29 cada. Esse valor é cerca de 12,8% maior do que o preço de fechamento do papel na segunda-feira, quando a ação terminou o dia cotada a R$ 4,69.
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Hoje, o capital social do BRB é de R$ 2,34 bilhões. Ou seja: se conseguir captar o montante máximo, o BRB passaria a um capital de R$ 11,2 bilhões – cifra quase quatro vezes maior que o valor atual.
🔎Um aumento de capital acontece quando uma empresa levanta mais dinheiro com investidores para reforçar suas finanças ou financiar novos projetos. Isso geralmente é feito por meio da emissão de novas ações, que são vendidas no mercado ou aos próprios acionistas.
O dinheiro arrecadado entra no caixa da empresa e pode ser usado para investir no crescimento, reduzir dívidas, melhorar a situação financeira ou atender exigências regulatórias, como ocorre com frequência no caso de bancos.
Segundo o BRB, a operação tem como objetivo fortalecer a situação financeira da instituição, ampliando os recursos disponíveis para sustentar suas atividades e crescimento.
“A medida reduzirá o grau de alavancagem do conglomerado prudencial, ampliará a capacidade de absorção de possíveis perdas esperadas e inesperadas e favorecerá a manutenção do enquadramento prudencial, reforçando a solidez patrimonial”, disse.
A proposta ainda precisa ser aprovada pelos acionistas em uma assembleia marcada para o dia 18 de março.
Socorro ao BRB
O aumento de capital anunciado pelo Banco de Brasília faz parte de um esforço mais amplo para reforçar a situação financeira da instituição e recuperar a confiança de investidores e clientes.
Para isso, o governo do Distrito Federal prepara um pacote de medidas destinado a fortalecer o banco.
Um projeto aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal autoriza o governo a usar diferentes instrumentos para apoiar o BRB, como aportes de recursos públicos, venda de imóveis do DF e contratação de empréstimos de até R$ 6,6 bilhões.
O texto também permite transferir terrenos e outros ativos ao banco ou utilizá-los em operações financeiras, como fundos imobiliários, para levantar recursos.
As medidas ocorrem em meio à pressão sobre as contas da instituição após operações com o Banco Master. Entre 2024 e 2025, o BRB investiu cerca de R$ 16,7 bilhões no banco privado, mas parte dessas operações passou a ser investigada por suspeitas de fraude.
Com a liquidação do Master, muitos dos ativos adquiridos ficaram bloqueados ou não chegaram a integrar o patrimônio do BRB.
Auditorias do Banco Central do Brasil, de órgãos de controle e de consultorias independentes apontam que as perdas podem chegar a cerca de R$ 8 bilhões.
Diante desse cenário, o governo do DF e a direção do banco passaram a buscar medidas para recompor o patrimônio da instituição, melhorar a liquidez e garantir o cumprimento das exigências regulatórias.
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