Os bancos Bradesco, BNP Paribas e Rabobank estão entre os maiores credores da Raízen, que entrou com pedido de recuperação judicial nessa terça-feira (10), para reestruturar cerca de US$ 12,6 bilhões (R$ 65 bilhões) em dívidas.
Documentos divulgados pela Raízen mostraram que o francês BNP tem a receber R$ 4,2 bilhões, de acordo com documentos da empresa divulgados na quarta-feira (11).
Os bancos Bradesco, Santander, Rabobank e Sumitomo Mitsui têm cerca de R$ 2 bilhões cada um a receber, enquanto o Itaú Unibanco tem exposição de mais de R$ 1 bilhão à empresa.
A Raízen, controlada pela Shell e pela Cosan, concordou em iniciar uma reestruturação extrajudicial de sua dívida bilionária, suspendendo pagamentos e tendo 90 dias para obter a adesão dos credores a um plano mais abrangente. Isso pode envolver aportes de capital adicionais de seus controladores, a conversão de parte da dívida em participação acionária ou a venda de ativos.
O agente fiduciário Bank of New York Mellon é citado nos documentos como credor do equivalente a aproximadamente R$ 26 bilhões, mostram os documentos.
A securitizadora True Securitizadora também está listada entre os maiores credores, com cerca de R$ 6,4 bilhões a receber. As securitizadoras são responsáveis pela estruturação de CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), uma classe de títulos de renda fixa usados para financiar o setor que ajudou a impulsionar o boom agrícola do Brasil.
O Bradesco recusou-se a comentar e o Rabobank disse que não comenta transações de mercado. BNP, Santander, Sumitomo, Itaú Unibanco, True Securitizadora e BNY Mellon não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.
Outrora a principal produtora de biocombustíveis do Brasil, a Raízen foi prejudicada por altas taxas de juros, safras fracas e investimentos pesados que ainda não deram retorno.
O preço de seus títulos denominados em dólar despencou para níveis que indicam que a empresa está em dificuldades. Seus ratings foram rebaixados profundamente para grau especulativo à medida que as preocupações com seu endividamento aumentaram e as negociações para um resgate por parte de seus principais acionistas se arrastaram.
noticia por : UOL


