quarta-feira, 11, março , 2026 08:53

Lula está sozinho no mundo e a hora dele vai chegar


O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) publicou um vídeo em suas redes sociais nesta terça-feira (10) no qual faz críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pede que a comunidade internacional “fique de olho nas eleições do Brasil” para garantir a realização do processo democrático no país.

Na gravação, Eduardo lista uma série de ações recentes lideradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra líderes políticos de diferentes países. “Esse novo xerife Donald Trump já prendeu Nicolás Maduro, colocou de joelhos o Petro da Colômbia, apoiou que Israel neutralizasse os líderes do Hezbollah, do Hamas”, afirmou.

O parlamentar fez referência também à morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, ocorrida no final de fevereiro durante ataques militares. “Agora os Estados Unidos jogam a pá de cal, eliminando o líder do mais sanguinário ditador que a nossa geração já viu, o Ali Khamenei”, declarou.

“Lula está sozinho no mundo”, prosseguiu Eduardo. “Nós temos certeza que, naturalmente, a hora do Lula vai chegar”, completou.

Contexto regional e pressões internacionais

As declarações de Eduardo Bolsonaro ocorrem em meio a um momento de tensão diplomática entre o governo brasileiro e a administração Trump. Os Estados Unidos preparam-se para classificar como organizações terroristas estrangeiras o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais facções criminosas do Brasil .

O governo americano considera que o PCC e o CV representam “ameaças significativas à segurança regional” e prometeu agir adequadamente contra envolvidos em atividades terroristas . A medida é vista com preocupação pelo Palácio do Planalto, que teme que a designação possa abrir brechas para uma eventual intervenção militar no país, nos moldes do que ocorreu na Venezuela .

Na segunda-feira (9), durante visita de Estado do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, Lula defendeu o preparo militar do Brasil: “Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente” .

Articulação com aliados regionais

Diante das pressões, Lula tem buscado coordenar-se com outros líderes sul-americanos. Na quarta-feira (11), o presidente brasileiro recebeu telefonema do presidente da Colômbia, Gustavo Petro . Na conversa, os dois trataram sobre a integração latino-americana no contexto dos preparativos para a Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), marcada para 21 de março em Bogotá .

Petro e Lula também confirmaram presença na 4ª edição do evento “Em Defesa da Democracia”, promovido pelo governo espanhol, que será realizado em Barcelona no dia 18 de abril .

Na segunda-feira (9), Lula já havia conversado com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, com quem discutiu aspectos da relação econômica e parcerias na área de energia . México e Colômbia tiveram cartéis de drogas classificados pelo governo Trump como grupos terroristas estrangeiros no ano passado .

Reunião do Escudo das Américas

Paralelamente, Trump promoveu em Miami, na Flórida, o encontro de lideranças conservadoras do Escudo das Américas (Shield of the Americas), que reuniu 12 líderes de países latino-americanos alinhados ideologicamente ao governo americano . No evento, Trump explicitou o desejo de expandir operações militares similares às realizadas no Mar do Caribe e anunciou uma “coalização militar” para usar força letal contra grupos armados na região .

Questionado nesta quarta-feira (11) sobre a ausência de Lula, Sheinbaum e Petro no encontro, Trump afirmou achar que os três presidentes “haviam sido convidados e faltaram”. “Eu acho que foram convidados. Talvez não tenham vindo. Eu me dou bem com todos eles”, declarou o presidente americano . O governo brasileiro, no entanto, indicou anteriormente que Lula não recebeu convite formal para participar do evento .

Ações de Trump na região

O governo Trump tem adotado uma postura mais assertiva na América Latina desde o retorno do presidente republicano à Casa Branca. Em janeiro, forças americanas realizaram operação militar em Caracas que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro . A ação foi precedida pela designação das facções venezuelanas Tren de Aragua e Cartel de Los Soles como organizações terroristas .

Em fevereiro, uma operação envolvendo polícias e militares mexicanos, com apoio de informações de agências americanas, levou à morte de El Mencho, principal líder do Cartel Jalisco Nueva Generación .

Temor de intervenção

O governo brasileiro vê com preocupação a possibilidade de que a designação do PCC e do CV como organizações terroristas possa levar a ações militares americanas em território nacional. Interlocutores do presidente Lula têm reiterado que o caminho para o combate ao crime organizado transnacional é a cooperação policial e que o Brasil não vai aceitar essa designação, que não encontra respaldo na lei brasileira .

A pauta é mais um atrito nos bastidores da preparação de uma visita de Lula a Trump em Washington, negociada há meses e ainda sem data para ocorrer . O governo brasileiro vê indícios de que a administração americana possa ter atendido a lobby de setores bolsonaristas, que apoiam a designação das facções como terroristas .

Em nota oficial sobre a conversa com Petro, o Palácio do Planalto informou que os dois líderes trataram sobre integração latino-americana e confirmaram presença em eventos internacionais, sem mencionar os temas sensíveis discutidos.





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