Desde o início de 2026 o Brasil registrou 149 casos de mpox, entre confirmados e prováveis, de acordo com o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, atualizado na segunda-feira (9). Nenhum óbito foi contabilizado no país neste ano.
Com 93 confirmações, o estado de São Paulo lidera o ranking nacional, seguido por Rio de Janeiro (18), Rondônia (11), Minas Gerais (11), Rio Grande do Norte (3), Rio Grande do Sul (3) e Santa Catarina (3). Paraná tem 2 casos. Amazônia, Ceará, Distrito Federal, Pará e Sergipe registram 1 caso cada.
O Ministério da Saúde afirma que o cenário atual não indica situação de crise e que o SUS (Sistema Único de Saúde) está preparado para diagnóstico, tratamento e monitoramento dos casos, com investigação epidemiológica e rastreamento de contágios. A pasta diz ainda que mantém vigilância ativa e acompanhamento dos pacientes.
Entre os casos paulistas, dois foram identificados ainda em janeiro como pertencentes ao clado 1b, subvariante historicamente associada a quadros mais graves. Em fevereiro, a OMS (Organização Mundial da Saúde) detectou na Índia e no Reino Unido dois casos de uma nova cepa recombinante dos clados 1b e 2b.
Segundo a organização internacional, ambos os pacientes apresentaram sintomas semelhantes aos demais clados sem evolução grave, e a avaliação de risco permanece moderada para grupos com maior exposição —como homens que fazem sexo com homens, trabalhadores do sexo e pessoas com múltiplos parceiros— e baixa para a população geral.
Em 2025 o Brasil registrou 1.079 casos e dois óbitos ao longo de todo o ano.
O que é a mpox?
A mpox, anteriormente conhecida como “monkeypox” (varíola dos macacos, em português), é uma infecção causada pelo vírus Mpox, que pertence à família do gênero orthopoxvirus, o mesmo da varíola, explica infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana.
Os sintomas iniciais são febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e aumento dos linfonodos. Se evoluir para a chamada fase eruptiva, surgem também lesões na pele que podem ocorrer na face, região genital, perianal, palmas das mãos e dos pés e mucosa. Segundo a médica, casos graves podem evoluir com manifestações neurológicas e oculares.
O vírus que causa a mpox se divide em dois clados, que são agrupamentos de espécies semelhantes com ancestral evolutivo comum. Os clados 1 e 2 se dividem em dois subclados: 1a e 1b, 2a e 2b.
“Essa avaliação indica a circulação do vírus”, diz o infectologista Dyemison Pinheiro, mestre em saúde coletiva e assistente no pronto-socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. “Classicamente, o 1a circula entre países da África Central e o 2b foi primeiro detectado na Nigéria, que seguiu causando infecção entre humanos.” Os sintomas causados pelo clado 1b tendem a ser mais exacerbados em pessoas mais vulneráveis ao vírus, com déficit de imunidade, complementa.
Como a doença é transmitida?
A principal forma de transmissão da doença é entre seres humanos, afirma Juvencio Furtado, infectologista do Hospital Heliópolis. Segundo ele, é raro a transmissão vinda de um animal, sendo o mais comum ser do contato próximo entre pessoas, com lesões, fluidos corporais, gotículas respiratórias e objetos pessoais contaminados.
“O vírus penetra no ser humano através de lesões de pele, mesmo que essas lesões não sejam visíveis. Pode penetrar raramente pelo trato respiratório, membranas mucosas, como nos olhos, boca e nariz”, diz Furtado. Outra via de transmissão em debate, afirma, é a vertical via placentária, a chamada mpox congênita.
A transmissão sexual também é possível, afirma o médico, tendo ocorrido de forma mais frequente entre homens que fazem sexo com outros homens. No entanto, o risco não é restrito a esse grupo e pode acontecer com qualquer pessoa que tenha contato com a lesão com mucosas ou lesões cutâneas.
A doença também pode ser transmitida mesmo antes de se apresentar qualquer tipo de sintoma ou por pacientes assintomáticos, explica Falci.
O que posso fazer para prevenir a contaminação?
Para Furtado, a medida protetiva mais importante é evitar o contato corporal pele a pele. Além disso, as pessoas que tiverem as manifestações clínicas da doença devem ficar afastadas durante o período de transmissibilidade, que corresponde ao período em que as lesões estão ativas, diz.
Outra forma de prevenção eficaz é a vacinação da população. O Ministério da Saúde afirma que realizou a aquisição emergencial da vacina para pessoas que vivem com HIV/Aids e que possuem CD4 entre 100 e 200 células, usuários de PrEP e profissionais de saúde que manipulem amostras do vírus.
No entanto, Pinheiro diz que as vacinas têm sido insuficientes. “Temos observado no dia a dia um aumento no número de casos suspeitos e confirmados, inclusive do clado 1b, pouco identificado em circulação no Brasil”, afirma.
Falci indica também mudanças comportamentais em relação às parcerias sexuais e o uso de equipamento de proteção por profissionais de saúde em ambientes hospitalares, além da higiene rigorosa do ambiente em que o paciente foi atendido.
O Ministério da Saúde recomenda a adoção de medidas de higiene, como a lavagem frequente das mãos e, em caso de sintomas ou suspeita de contato próximo com casos suspeitos ou confirmados, que se procure uma unidade de saúde para avaliação clínica e isolamento até avaliação médica.
noticia por : UOL


