O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), rebateu na quarta-feira (11) as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que afirmou que o chefe do Executivo paulista seria “blindado” de críticas pela imprensa.
Haddad deve ser o adversário de Tarcísio na disputa pela reeleição ao governo do estado nas eleições de outubro .
Em entrevista após evento de inauguração do novo Centro de Controle Operacional do Metrô, Tarcísio contestou a avaliação do ministro. “Ninguém é blindado de crítica de lugar nenhum. Tem bom trabalho, tem trabalho que é ruim. O que eu posso fazer se ele aumentou o imposto a cada 30 dias? Não é culpa minha, é culpa dele”, afirmou o governador, em referência à política fiscal conduzida por Haddad à frente da pasta econômica .
Ao comentar o possível embate eleitoral, Tarcísio disse que “não escolhe adversário” e que pretende concentrar sua estratégia na conexão direta com o eleitorado. “A gente vai mostrar o que nós fizemos e o que temos de projeto”, declarou .
Pesquisa Datafolha divulgada na semana passada mostra Tarcísio como líder isolado nas intenções de voto para o governo paulista, com taxas superiores a 40% no primeiro turno. Nas simulações de segundo turno, o governador vence com pontuações que variam de 50% a 60%.
Haddad, por sua vez, marca 31% no primeiro turno, à frente de outros nomes do campo progressista, mas perde do atual governador por 19 pontos percentuais num eventual segundo turno .
Disputa pelas vagas ao Senado
Questionado sobre o desempenho de nomes da esquerda na corrida pelas duas vagas ao Senado por São Paulo – como Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB) –, Tarcísio afirmou que pretende apoiar um “nome viável” para a disputa. O governador avaliou que a eleição para o Senado costuma ter um tempo diferente de mobilização do eleitorado .
“As pessoas demoram um pouco mais para se conectar à eleição de Senado. Então, numa primeira avaliação, neste momento aparece melhor quem tem mais recall. Obviamente, a gente vai escolher alguém com viabilidade, isso é uma coisa importante”, disse .
A primeira vaga da chapa apoiada por Tarcísio já está definida: será do deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP-SP), que confirmou sua pré-candidatura após encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Papudinha, em Brasília, no final de fevereiro .
A segunda vaga, no entanto, segue em aberto e tem gerado divisões dentro do bolsonarismo. O ex-presidente Jair Bolsonaro defende o nome do vice-prefeito de São Paulo, coronel Mello Araújo (PL), com quem mantém proximidade desde seu mandato.
Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que seria candidato caso não tivesse deixado o país, tem como favorito o deputado federal Mário Frias (PL). O governador Tarcísio, por sua vez, resiste a ambos e defende um nome mais ao centro para a composição .
Outros nomes também são cogitados, como os deputados estaduais Gil Diniz (PL-SP) e Marco Feliciano (PL-SP), além da deputada federal Rosana Valle (PL-SP), que conta com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro .
Pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (9) mostrou ministros do presidente Lula à frente dos candidatos da direita na corrida ao Senado. Simone Tebet, Marina Silva (Meio Ambiente) e o próprio Haddad – que agora deve concorrer ao governo – aparecem bem posicionados, assim como Geraldo Alckmin e Márcio França (Empreendedorismo) .
O senador Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão sobre o segundo nome será tomada em consenso e divulgada em 30 de março, após análise de pesquisas de intenção de voto e conversas com lideranças . O escolhido, segundo ele, “tem que ser uma pessoa de confiança e obviamente validada pelo presidente Bolsonaro”. Com: Oeste.


