quinta-feira, 12, março , 2026 06:15

Pastor que impediu trans de usar banheiro feminino é denunciado


Um episódio ocorrido em uma igreja evangélica em Santo André gerou debate nas redes sociais e resultou em uma ação judicial. O caso envolve o pastor Davis Machado Oliveira, acusado de impedir uma pessoa trans de utilizar o banheiro feminino durante um evento religioso.

O episódio aconteceu em 20 de fevereiro, durante uma programação realizada na Igreja Além do Véu. Segundo relatos divulgados nas redes sociais, a pessoa identificada como Paola Bracho Mostarda Baracho participava do culto e tentou acessar o banheiro feminino do local.

De acordo com registros do momento, o pastor Davis Machado Oliveira se aproximou e informou que a pessoa não teria respaldo legal para utilizar o banheiro destinado às mulheres. O líder religioso indicou como alternativa o uso do banheiro unissex existente na igreja.

Durante a conversa, Paola afirmou: “Eu sou uma mulher como qualquer outra.” O diálogo foi registrado em vídeo pela própria pessoa envolvida e posteriormente divulgado nas redes sociais.

Ação judicial

O caso ganhou repercussão após uma publicação feita pela ativista trans Leo Áquilla. Em vídeo divulgado na rede social Instagram, Áquilla afirmou ter apresentado uma denúncia contra o pastor.

Segundo a ativista, a ação judicial foi motivada pela decisão de impedir o uso do banheiro feminino durante o evento. Ela também alegou que a participante teria sido retirada do local sem reembolso do valor pago para participar da programação.

“Denunciei um pastor evangélico de Santo André que proibiu a menina trans de utilizar o banheiro feminino em evento pago. Ela foi expulsa do local sem o devido reembolso”, afirmou Áquilla na publicação.

Membros da igreja

Após a divulgação do vídeo, membros da Igreja Além do Véu utilizaram a área de comentários da publicação para apresentar uma versão diferente do ocorrido. Segundo frequentadores da igreja, a pessoa não teria sido impedida de utilizar um banheiro, mas orientada a usar o sanitário acessível ou unissex.

Uma mulher que se identificou como integrante da congregação afirmou que a situação divulgada nas redes sociais não corresponderia integralmente ao que ocorreu no local.

“A situação que está sendo exposta publicamente não corresponde à forma como os fatos realmente aconteceram. A pessoa desejava utilizar o banheiro e foi oferecida uma alternativa para que pudesse fazê-lo”, escreveu.

Outra participante do evento declarou que a orientação da igreja é direcionar pessoas trans ao banheiro acessível, que permite uso individual do espaço.

“Ela não foi impedida de usar o banheiro. Foi instruída a utilizar o banheiro acessível. Nossa igreja aceita a todos, porém não compactua com tudo”, afirmou a fiel.

Relatos de voluntários

Voluntários que atuavam no evento também comentaram o episódio. Uma mulher afirmou que participou do atendimento aos visitantes e disse que o pastor teria se dirigido à pessoa com respeito ao apresentar a alternativa do banheiro unissex.

Segundo o relato, a pessoa envolvida teria reagido de forma exaltada durante o momento.

Outra integrante da igreja destacou que, na visão de membros da congregação, o acolhimento de visitantes não significa abrir mão de princípios adotados pela comunidade religiosa.

“Acolher pessoas não significa abrir mão de princípios ou permitir que cada um faça aquilo que quiser dentro da casa de Deus”, escreveu uma frequentadora.

Silêncio

Até o momento, a Igreja Além do Véu não divulgou um comunicado oficial sobre o caso. O episódio segue repercutindo nas redes sociais e poderá ser analisado judicialmente após a denúncia apresentada, de acordo com informações do Guia-me.





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