O deputado Napoleão, que não é Napoleão, claro, mas que se veste de Napoleão, porque acredita mesmo ser Napoleão e não tem nem um amigo para lhe dar um toque, foi eleito presidente da Comissão de Saúde Mental da Câmara, mais conhecida como CPinel. “Eu sou Napoleão!”, disse ele em seu primeiro pronunciamento. “E ai de quem disser o contrário”, repreendeu, antevendo a reação da sociedade lúcida. Digo, mais ou menos lúcida.
ENTRE PARA A MINHA COMUNIDADE NO WHATSAPP!
Reação que não tardou. “Nada contra o Napoleão, mas isso já foi longe demais”, disse o sensato cidadão José da Silva, responsável por lançar a campanha #NapoleãoNão. “O movimento napoleônico parece determinado a tomar o lugar das pessoas sãs em todas as esferas da sociedade, sempre com o papinho vitimista. Só porque vivem no mundo da lua, uns pensando que são Napoleão e outros cacarejando pelos jardins do hospício”, disse ele antes de sair gritando que é normal!, é normal!, é normal!
Dr. Carlos Massa
Depois que Napoleão foi eleito para a Comissão de Saúde Mental do Congresso, psiquiatras de todo o país também se manifestaram. “Não achei muito justo, não. Com tanta gente normal, por que vão dar pro Napoleão? Ele não é Napoleão; ele é doido. Nada contra doido, mas Napoleão pra ser Napoleão tem que ser francês e baixinho”, disse o dr. Carlos Massa, imediatamente acusado de ser napoleãofóbico. Se alguém no Ministério Público invocar, ele agora pode ser até preso ou, pior!, exilado na ilha de Santa Helena.
Alheio a tudo, inclusive à realidade biológica, Napoleão desembainhou a espada de plástico e disse que, se preciso for, vai até a Rússia (e no inverno, ainda por cima!) lutar pelos direitos de todos que não batem muito bem das bolas. “Estou aqui em nome dos doidos, dos malucos, dos dementes, dos insanos, dos mentecaptos, dos desequilibrados, dos alienados, dos birutas, dos tantãs, dos pancadas, dos tresloucados, dos lunáticos, dos zuretas, dos desatinados, dos variados e dos destrambelhados”, declarou ele, fazendo pose de Napoleão para os fotógrafos.
Batendo palmas para maluco dançar
Napoleão Bonaparte nasceu em 15 de agosto de 1769, na Córsega. Formado em psicologia, o então todo-poderoso imperador francês abandonou a conquista da Europa depois de ser derrotado na Batalha de Waterloo, e decidiu virar ativista da causa napoleônica. Elegeu-se primeiro vereador em São Paulo. Dois anos mais tarde, foi eleito deputado federal. Seu sonho é virar ministro do STF.
A atuação de Napoleão como representante da causa doidivanas tem sido marcada por polêmicas, como a compra de fardões e chapéus ridículos com verba de gabinete, uma mal explicada licitação para decifrar a Pedra de Roseta e a invasão de Portugal em 1808. Agora a eleição de Napoleão como presidente da Comissão de Saúde Mental da Câmara promete ainda mais diversão. Para nós que ficamos aqui, batendo palmas para maluco dançar.
noticia por : Gazeta do Povo


