terça-feira, 17, março , 2026 07:09

Otoni de Paula perde função pastoral após votação


O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) foi destituído da função de pastor pelo Ministério de Avivamento Apostólico do Caminho (MAAC), denominação à qual é vinculado, conforme circular assinada pelo bispo Léo Assis e divulgada nesta semana.

A decisão está relacionada ao posicionamento do parlamentar durante a votação que elegeu o parlamentar transexual Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados .

O documento oficializa que Otoni de Paula não é mais reconhecido como pastor pela igreja, estando impedido de assumir púlpitos, ministrar a palavra e exercer funções pastorais na instituição. A circular também estabelece medidas disciplinares, determinando que o parlamentar não participe de determinadas atividades ministeriais até que haja mudança de postura .

Contexto da votação

A eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher ocorreu no último dia 11 de março, em votação que registrou 11 votos favoráveis a Erika Hilton e 10 votos em branco.

Hilton obteve vitória em chapa única que também definiu Laura Carneiro (PSD-RJ) como primeira vice-presidente, Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) como segunda vice-presidente e Socorro Neri (PP-AC) como terceira vice-presidente .

O resultado apertado gerou repercussão porque parte da oposição havia articulado um boicote, orientando parlamentares a votarem em branco para tentar impedir a eleição ou esvaziar a legitimidade do resultado. Nesse tipo de votação, os votos em branco não contam contra o candidato, apenas deixam de apoiar, sendo suficiente a maioria entre os votos válidos para vencer .

Embora o voto individual de Otoni de Paula não tenha sido divulgado publicamente, sua participação na votação — que garantiu quórum para a realização do processo — foi interpretada por setores religiosos como contrária à estratégia de boicote . O deputado é suplente na comissão pelo MDB .

Na mesma semana, Otoni de Paula chegou a presidir sessão no plenário da Câmara, ocasião em que registrou a presença de 256 deputados e comentou o esvaziamento da Casa .

Repercussão

Nos bastidores do meio evangélico, o episódio gerou reflexos. De acordo com relatos de lideranças e integrantes de igrejas, alguns ministérios têm reconsiderado convites para que Otoni de Paula pregue em seus púlpitos .

Apesar da controvérsia no campo religioso, o deputado segue normalmente no exercício do mandato parlamentar. A decisão da igreja não interfere em suas atribuições legislativas





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