terça-feira, 17, março , 2026 12:34

Petróleo do Oriente Médio se torna o mais caro do mundo conforme guerra corta fornecimento




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Os índices de referência do petróleo do Oriente Médio atingiram níveis recordes e se tornaram os mais caros do mundo, mesmo com a queda nas negociações causada pela guerra no Irã. Parte dos traders avalia que esses indicadores perderam relevância diante das interrupções no fornecimento.
A alta desses índices, usados para definir o preço de milhões de barris exportados para a Ásia, tem elevado os custos das refinarias da região, que começam a buscar alternativas ou até reduzir a produção nos próximos meses.
O petróleo Dubai à vista foi cotado a um recorde de US$ 157,66 por barril na terça-feira, para cargas de maio, segundo a S&P Global Platts, superando o recorde histórico do Brent, de US$ 147,50 em 2008.
Com isso, o prêmio do Dubai em relação aos swaps subiu para US$ 60,82 por barril na segunda-feira (16), ante uma média de US$ 0,90 em fevereiro, segundo a Reuters.
Na mesma linha, o petróleo de Omã também atingiu recorde, a US$ 152,58 por barril, elevando seu prêmio frente aos swaps de Dubai para US$ 55,74 — ante cerca de US$ 0,75 em fevereiro.
Os preços de Dubai estão distorcidos, em parte, pela grande diferença em relação ao petróleo Murban, cotado a US$ 114,03 por barril na terça-feira, segundo fontes do mercado.
As exportações de petróleo do Oriente Médio para a Ásia caíram para 11,7 milhões de barris por dia em março, ante quase 19 milhões em fevereiro, uma queda de cerca de 32% na comparação anual, segundo a consultoria Kpler. O recuo está ligado às interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz.
Diante desse cenário, várias refinarias asiáticas reduziram o ritmo de operação.
Oferta reduzida
Ilustração de bomba de petróleo em frente à bandeira dos Emirados Árabes Unidos
Reuters
Fontes do setor de refino atribuem a alta dos preços à menor oferta disponível durante o processo de negociação da Platts, após a retirada de três tipos de petróleo que passam pelo estreito.
Uma das fontes afirmou que a formação de preços ficou distorcida, já que os tipos restantes — Omã e Murban — não representam bem o mercado usado como referência para o petróleo do Oriente Médio e parte do petróleo russo.
Outra fonte afirmou que o comércio de petróleo do Oriente Médio para maio foi paralisado, devido ao descompasso entre as referências de Dubai e Omã. As fontes falaram sob condição de anonimato.
“O Platts Dubai continua refletindo o valor do petróleo do Oriente Médio no mercado à vista”, afirmou um porta-voz da S&P Global Energy, acrescentando que a atividade foi forte neste mês, com várias cargas entregues.
Apesar disso, traders afirmam que a TotalEnergies tem sido a principal compradora nas negociações da Platts. A empresa francesa comprou 42 cargas de petróleo de Omã e Murban neste mês, somando cerca de 21 milhões de barris, segundo dados do mercado.
Na segunda-feira, a Platts informou que busca avaliações do mercado sobre a capacidade de entrega do petróleo do Oriente Médio e sobre sua metodologia de referência para o Dubai.
África e Américas em busca de suprimento alternativo
Os prêmios do petróleo das Américas e da África subiram, à medida que refinarias asiáticas buscam garantir fornecimento.
Segundo traders, os prêmios do petróleo brasileiro atingiram recordes, entre US$ 12 e US$ 15 por barril acima do Brent.
Os prêmios do petróleo da África Ocidental para abril subiram cerca de US$ 1 por barril em relação ao mês anterior, com a maior parte das cargas já vendida, segundo um dos traders.



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