quinta-feira, 19, março , 2026 03:46

Santos demite Vojvoda e tem Cuca como substituto preferido

O Santos anunciou na madrugada desta quinta-feira (19) a demissão do técnico argentino Juan Pablo Vojvoda, 50. Após sete meses no comando da equipe, o treinador foi informado do desligamento pela diretoria ainda no vestiário da Vila Belmiro após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, em confronto válido pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro.

Junto com Vojvoda, deixam o clube os auxiliares Nahuel Martinez e Gáston Liendo, o preparador físico Luis Azpiazu, o preparador de goleiros Santiago Piccinini e o psicólogo Christian Rodrigues.

“O Santos FC comunica a saída do técnico Juan Pablo Vojvoda e dos membros de sua comissão técnica. O clube agradece os serviços prestados e deseja sucesso na sequência da carreira”, disse a agremiação em nota.

Com três passagens pelo clube –em 2008, 2018 e a última entre 2020 e 2021–, Cuca surge como o favorito à sucessão no cargo. Pesa contra o treinador, contudo, o temor do presidente Marcelo Teixeira por uma repercussão negativa semelhante à enfrentada pelo arquirrival Corinthians quando contratou o profissional em abril de 2023.

Na ocasião, logo após o anúncio, o técnico lidou com uma onda de rejeição e de protestos nas redes sociais por conta da condenação por violência sexual enquanto jogador do Grêmio, ao lado de outros três atletas do time gaúcho. A vítima foi uma adolescente de 13 anos na Suíça, em 1987.

O trabalho foi encerrado com apenas duas partidas. Condenado à revelia e sem representação legal à época, Cuca só voltou a treinar um time de futebol depois que o Tribunal Regional de Berna-Mittelland anulou a sentença inicial do caso, em janeiro de 2024.

Desde então, passou por Atheltico-PR no mesmo ano e trabalhou no Atlético-MG por oito meses em 2025, se pronunciando algumas vezes sobre o ocorrido. Ele conquistou um título do Campeonato Mineiro no período.

A saída de Vojvoda força o Santos a arcar com o pagamento integral do valor estipulado em contrato, válido até dezembro de 2026, estimado em R$ 11,7 milhões. O cálculo é feito com base nos ganhos mensais do treinador, de cerca de R$ 1,3 milhão.

O clube, com isso, aumenta ainda mais a dívida com ex-treinadores recentes. A Fifa já condenou o Peixe a indenizar o português Pedro Caixinha, demitido em abril de 2025, em 2,3 milhões de euros (R$ 14,4 milhões), além de multa de 5% ao ano desde a data da rescisão –formalizada em 14 de abril. O Santos recorre na Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Vojvoda convivia há tempos com intensa pressão no cargo, que se agravou após o empate por 2 a 2 contra o Mirassol, no interior paulista, no dia 10 deste mês.

A diretoria santista entendeu que não havia mais evolução no trabalho e que o ciclo do treinador havia chegado ao fim, uma vez que teve uma pausa de 12 dias sem jogos.

Entre os cartolas, as críticas eram por mudanças constantes nas escalações, a falta de conjunto mesmo com sete meses no cargo e até escolhas erradas em substituições. A avaliação interna é de que o elenco é bom e a baixa performance não se justificava.

Mesmo com forte apelo de seus pares pela demissão, o treinador ganhou um voto de confiança do presidente Marcelo Teixeira para uma sequência de duas partidas na Vila Belmiro: o clássico diante do Corinthians, no último domingo (15), e o confronto com o Inter, então último colocado no Brasileirão. O treinador somou apenas um ponto dos seis disputados, tornando a manutenção quase insustentável.

Vojvoda chegou ao Santos em agosto do último ano cercado por esperança após o longevo trabalho a frente do Fortaleza, clube que deixou após 310 jogos, cinco títulos, três classificações à Libertadores da América e o vice-campeonato da Copa Sul-Americana.

No Santos, porém, lutou contra o rebaixamento no Brasileirão passado e jamais conseguiu convencer. Ao todo, foram 33 partidas, com dez vitórias, 13 empates e dez derrotas, um aproveitamento de 43,4%, semelhante aos antecessores Cleber Xavier (42,2%) e Pedro Caixinha (43,1%).

Além de Cuca, outros nomes também são discutidos entre os dirigentes: o de Vanderlei Luxemburgo, bastante próximo ao presidente Marcelo Teixeira, e o de Tite, que teria o aval de Neymar.

noticia por : UOL