A campanha de retaliação do Irã na guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel há 20 dias tem desafiado o Estado judeu, orgulhoso de ter o melhor sistema de defesa antiaérea do mundo, com uma arma polêmica: as bombas de fragmentação.
O armamento é conhecido pelo nome em inglês, cluster, ou aglomeração —no caso, a área onde diversas submunições se espalham após serem dispersadas por uma única ogiva de míssil balístico.
Além de ampliar a área a ser atingida, essas bombinhas são quase impossíveis de interceptar. Pela evidência de vídeos em redes sociais e segundo as Forças de Defesa de Israel, Teerã tem ampliado seu uso nos últimos dias.
Com efeito, o país registrou duas mortes na quarta-feira (18) e outras quatro na virada para esta quinta (19), todas devido a este tipo de munição. Ao todo, a retaliação iraniana já matou 20 pessoas em Israel.
Não há dados públicos sobre o número de mísseis interceptados por Israel, uma taxa que ficou em 86% na guerra de 12 dias entre Irã o rival no ano passado, mas os militares dizem que metade dos modelos disparados agora vêm com munição cluster.
“É uma dor de cabeça a mais, porque dificulta o trabalho do alerta antecipado que chega nos nossos celulares. Os idosos que morreram ontem [quinta] não tiveram tempo de chegar ao abrigo”, disse por mensagem Yaniv Razovski, morador de Tel Aviv.
Essas bombas menores têm a particularidade de nem sempre explodir, se transformando em minas antipessoais espalhadas por ampla área, o que as torna especialmente perigosas para crianças.
Por este motivo, uma convenção internacional as proibindo entrou em vigor em 2010. Não que isso faça diferença neste conflito: tanto Irã quanto Israel e EUA não estão entre os 111 signatários que ratificaram o texto.
Na Guerra da Ucrânia, onde tanto Kiev quanto Moscou empregam o armamento, os EUA foram criticados por países europeus por fornecerem em 2023 bombas cluster para as forças de Volodimir Zelenski.
O Brasil é um ator importante nesse contexto. Segundo a ONG pacifista Coalizão de Munição de Fragmentação, o país é 1 dos 17 do mundo que produz e vende esse tipo de armamento.
Em 2014, a ONG disse que no passado o país havia exportado o produto para o Irã, mas citou que ele era empregado pelo lançador de foguete Astros-2, da Avibrás. Na região, só Iraque, Qatar e Arábia Saudita operam o modelo.
O emprego do armamento condiz com a estratégia iraniana de manter um ritmo de ataques menor, preservando ao máximo seu estoque de mísseis balísticos de maior alcance, como o modelo Khorramshahr-4. Drones, lançados tanto do Irã quanto pelo Hezbollah libanês, completam o quadro.
O Khorramashahr-4 é o mais moderno e pesado modelo de alcance intermediário do Irã, e as chances de interceptação de Israel são maiores empregando o sistema Flecha, que atinge o míssil quando ele ainda está fora da atmosfera.
Na reentrada, a velocidades hipersônicas até oito vezes mais rápidas do que o som, é mais difícil para as duas camadas de proteção antiaérea de Israel, o Funda de Davi de média altitude e o famoso Domo de Ferro, de baixa.
Contra os Estados do golfo Pérsico, o uso é mais intensivo de mísseis de curto alcance, cujos estoques de Teerã são muito maiores, e também de drones.
Isso explica o fato de os Emirados Árabes Unidos serem o país mais atingido pelo Irã até aqui, recebendo 1.956 dos 3.779 projeteis lançados contra os vizinhos, na campanha para causar caos no comércio mundial de petróleo e gás.
Por evidente, a destruição tanto no país persa quanto no Líbano, onde Israel ataca o grupo Hezbollah, é muito maior. No Irã, morreram cerca de 1.500 pessoas e na nação árabe, aproximadamente 1.000.
noticia por : UOL


