Em publicação em rede social, Donald Trump tentou se dissociar dos preços recordes de petróleo e gás após um ataque de Israel ao estratégico campo de gás Pars Sul no Irã.
O ataque ao campo, responsável por grande parte do fornecimento de gás para o mercado doméstico iraniano, era uma conhecida linha vermelha e desencadeou uma previsível saraivada de retaliações do regime iraniano contra instalações de energia em países do Golfo. O gás subiu 25%, e o barril de petróleo bateu em US$ 115 mercado internacional.
“Israel, por raiva com o que aconteceu no Oriente Médio, atacou violentamente uma importante instalação conhecida como Campo de Gás Pars Sul, no Irã. Uma seção relativamente pequena do complexo foi atingida. Os Estados Unidos não tinham conhecimento desse ataque específico”, escreveu Trump.
Ou seja: “Desculpa aí, pessoal, não foi ideia minha atacar um alvo estratégico para o Irã no momento em que isso iria resultar em preços ainda mais altos do petróleo, já pressionados pelo bloqueio iraniano no estreito de Hormuz.”
Segundo o Wall Street Journal, o governo americano sabia, sim, que Israel ia atacar Pars Sul e deu sinal verde, apesar das negativas públicas de Trump.
Mas isso importa menos no cenário atual do que uma máxima eternizada pelo ex-secretário de Estado americano Colin Powell. “You break it, you own it” (“quebrou, pagou”). O general Powell disse a frase ao então presidente George W. Bush em relação à invasão do Iraque e derrubada do ditador Saddam Hussein. Ao mergulhar em uma operação de mudança de regime no Iraque, os EUA tornaram-se responsáveis pelo que aconteceria no país —caos, guerra civil, mais de 4.500 soldados americanos, centenas de milhares de iraquianos mortos e o nascimento do Estado Islâmico.
Ao decidir se juntar a Israel em uma guerra para derrubar o regime islâmico no Irã, Trump tornou-se responsável pelas consequências não intencionais dessa intervenção.
E o ataque de Israel a Pars Sul, inaugurando uma fase ainda mais danosa da guerra, mostra por que vários outros presidentes americanos resistiram a pressões de Binyamin Netanyahu para embarcar em uma operação de mudança de regime no Irã.
Essa é uma obsessão antiga do premiê de Israel, que tentou arrastar vários líderes americanos, entre eles Joe Biden e Barack Obama, para uma guerra contra o país persa.
Os objetivos de Israel são completamente diferentes das metas dos EUA. Netanyahu quer aniquilar o regime que está no poder no Irã desde a revolução islâmica de 1979. Não importa que isso implique em uma destruição completa do país e centenas de milhares de mortos de civis.
Para Netanyahu, transformar o Irã em Gaza é um preço razoável a se pagar para se livrar da ameaça dos aiatolás. E, ainda, preços recordes de petróleo desestabilizando a economia mundial e o impacto da inflação sobre o desempenho dos republicanos nas eleições de meio de mandato nos EUA são danos colaterais indesejáveis, mas aceitáveis.
Já os objetivos de Trump para a guerra do Irã, quem sabe quais são?
“Israel não fará mais ataques relacionados a este Campo de Pars Sul, extremamente importante e valioso”, afirmou Trump em sua publicação.
Será? Falta combinar com os israelenses. Outros presidentes americanos se mostraram bem mais sábios ao não embarcar em uma aventura bélica com Netanyahu, um aliado incontrolável que sabidamente coloca seus objetivos acima de qualquer consideração.
Donald Trump, esta guerra é sua, e a crise na economia mundial já caiu no seu colo.
noticia por : UOL


