Um novo estudo realizado na Finlândia revela que a saúde mental de jovens com disforia de gênero frequentemente se deteriora após cirurgias de redesignação sexual. A pesquisa, que analisou mais de 2 mil prontuários, contesta a ideia de que esses procedimentos reduzem casos de depressão.
O que o estudo finlandês descobriu sobre as intervenções de gênero?
Os pesquisadores descobriram que as necessidades de tratamento psiquiátrico especializado não diminuíram com a transição. Pelo contrário, em muitos casos, a procura por cuidados mentais aumentou significativamente após o uso de hormônios ou a realização de cirurgias. Isso desafia a crença comum de que a mudança física seria a solução direta para o sofrimento emocional desses jovens.
Qual foi a mudança nos índices de problemas psiquiátricos?
Os números são impressionantes: entre mulheres biológicas que fizeram a transição para o gênero masculino, a necessidade de cuidados psiquiátricos saltou de 21,6% para 54,5%. No caminho inverso, entre homens biológicos que buscaram a identidade feminina, a taxa subiu de 9,8% para 60,7%. O estudo sugere que o estrogênio, por exemplo, pode ter efeitos colaterais que agravam sintomas de depressão profunda.
A disforia de gênero é o único fator de risco para esses pacientes?
Não. Os dados indicam que a disforia de gênero — que é o desconforto persistente com o sexo biológico — pode não ser a causa principal dos problemas de saúde mental desses jovens. Frequentemente, diagnósticos prévios de ansiedade e depressão acabam ficando em segundo plano durante o tratamento de transição, mas esses transtornos continuam a existir e podem até se intensificar após os procedimentos físicos.
Por que as expectativas dos pacientes influenciam o resultado?
Há um fator psicológico crítico: o peso da frustração. Muitos jovens esperam que a transição resolva todos os seus problemas sociais e emocionais. Quando a mudança física acontece e as dificuldades internas persistem, ocorre uma deterioração da saúde mental. Isso reforça que tratamentos médicos não substituem o acompanhamento psicológico independente para gerenciar as expectativas reais sobre procedimentos irreversíveis.
Como outros países estão reagindo a essas evidências?
Existe um movimento global de cautela. Países como Finlândia, Suécia e Grã-Bretanha já aplicam restrições severas ao uso de hormônios e bloqueadores de puberdade em menores. No Brasil e na Argentina, esses tratamentos também são proibidos para menores de 18 anos. Além disso, locais como a Rússia e o Iraque adotaram leis que proíbem totalmente cirurgias de mudança de sexo por motivos pessoais.
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noticia por : Gazeta do Povo


