quinta-feira, 7, maio , 2026 12:48

Crescimento evangélico na Espanha gera reação de preconceito


O crescimento de igrejas evangélicas brasileiras na Espanha, impulsionado principalmente pela imigração latino-americana, tem ampliado a presença dessas comunidades religiosas em cidades como Madri e Barcelona. Ao mesmo tempo, integrantes dessas congregações relatam episódios de preconceito e discriminação.

No bairro de San Blas, em Madri, funciona uma unidade da Igreja Pentecostal Deus é Amor. O templo reúne fiéis de diferentes nacionalidades e tem servido como espaço de acolhimento para imigrantes latino-americanos.

A paraguaia identificada como “irmã Clara”, residente na Espanha desde 2019, afirmou que a igreja funciona como uma rede de apoio. “Somos todos família”, declarou ao relatar a convivência entre os membros.

Dados do Observatório de Pluralismo Religioso apontam que uma nova igreja evangélica é aberta a cada quatro dias em Madri. Atualmente, a capital espanhola conta com 1.187 templos evangélicos. Nos últimos cinco anos, foram inauguradas 455 novas congregações, crescimento de 62%.

O pastor Gilberto Miranda de Moraes, líder da Igreja Deus é Amor na Espanha, conduz cultos em português e espanhol. As reuniões abordam temas relacionados à fé, vida familiar e dificuldades financeiras, além de momentos de oração por pessoas que enfrentam problemas de saúde e outras crises pessoais.

Estimativas indicam que cerca de 1,5 milhão de pessoas frequentem igrejas evangélicas na Espanha. O percentual de pessoas que se identificam como evangélicas passou de 0,2% em 1998 para 2% em 2018. Entre as denominações presentes no país estão a Igreja Universal do Reino de Deus, Batista da Lagoinha, Igreja Cristã Maranata e Verbo da Vida.

O professor Chema Alejos relaciona esse crescimento à imigração latino-americana. Segundo ele, muitos imigrantes buscam proximidade cultural e apoio comunitário ao chegar ao país. A Espanha abriga cerca de 4 milhões de latino-americanos, incluindo pessoas em situação migratória irregular.

Relatos de discriminação também acompanham esse processo. A pregadora dominicana Josefa Nava afirmou já ter sido multada por evangelizar em locais públicos. O brasileiro Marcelo de Moura relatou ter enfrentado rejeição no ambiente de trabalho após sua conversão religiosa.

Gilberto Miranda atribuiu parte dessas experiências à percepção negativa direcionada a imigrantes latino-americanos. Já Kenny Clewett, organização de apoio a migrantes, afirmou que grupos religiosos formados por imigrantes e comunidades historicamente marginalizadas enfrentam dificuldades de representação social e institucional na sociedade espanhola, segundo informações do jornal O Globo.

A relação histórica entre protestantismo e Espanha também influencia o cenário atual. O país tem forte tradição católica e registrou perseguições a protestantes ao longo de sua história, incluindo restrições durante o regime de Francisco Franco. A liberdade religiosa foi ampliada apenas após a redemocratização espanhola.





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