segunda-feira, 18, maio , 2026 02:04

Como as redes sociais induzem adolescentes ao OnlyFans?

Algoritmos e influenciadores no Instagram e TikTok estão criando um caminho perigoso que leva jovens à autoexploração sexual no OnlyFans. A normalização da venda de conteúdos íntimos é impulsionada por promessas de dinheiro fácil e liberdade financeira, atingindo menores vulneráveis.

O que é a ‘ladeira escorregadia’ das redes sociais?

É um processo onde jovens começam postando conteúdos sensuais leves em redes como Instagram e TikTok para ganhar curtidas. Com o tempo, a pressão dos seguidores e o sistema de recompensas das plataformas incentivam essas jovens a exibir cada vez mais o corpo, culminando na abertura de uma conta em sites de conteúdo adulto assim que completam 18 anos.

Como os algoritmos influenciam esse comportamento?

Os algoritmos das redes tradicionais priorizam vídeos com música animada e estética sexualizada (pornificada). Isso inunda o feed dos adolescentes com imagens de influenciadoras que associam a exposição do corpo a uma vida de luxo e viagens, criando uma contagem regressiva para a maioridade como se o OnlyFans fosse um ‘sonho americano virtual’.

Qual é a percepção dos jovens sobre a plataforma OnlyFans?

Estudos mostram que quase um em cada três jovens vê a oferta de conteúdo íntimo como uma forma legítima de trabalho. Muitos acreditam no mito do dinheiro fácil, embora, na realidade, apenas 1% dos criadores mais populares fiquem com um terço de toda a renda da plataforma. Há uma perigosa normalização da autoexploração como saída profissional.

O que significa o termo ‘barely legal’ nesse contexto?

O termo, que significa ‘mal atingiu a maioridade’, é usado para identificar criadoras que acabaram de fazer 18 anos. As redes sociais funcionam como um estágio de captar menores, que são incentivadas a migrar para o conteúdo explícito no momento exato em que a lei deixa de considerá-las crianças, lucrando milhões logo no primeiro dia.

Existe diferença na abordagem para meninos e meninas?

Sim. Para as meninas, a publicidade foca em empoderamento, autonomia e ser ‘sua própria chefe’. Já para os meninos, o discurso é voltado para que eles se tornem ‘agentes’, gerenciando modelos e lucrando sobre o trabalho delas. Isso mascara figuras antigas, como o cafetão e a prostituta, sob novas nomenclaturas como ‘empresário’ e ‘criadora’.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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noticia por : Gazeta do Povo