A polícia prendeu líderes de uma igreja doméstica na cidade de Kaili, na província de Guizhou, no sudoeste da China. Entre os detidos estão cinco homens — Wei Yongqiang, He Jinbao, Quan Xiaolong, Long Jian e Cheng Yongbing — além de Zhou Guixia.
De acordo com fontes ligadas ao caso, as acusações apresentadas por autoridades associadas ao Partido Comunista Chinês (PCCh) estariam relacionadas principalmente a atividades religiosas consideradas comuns pela congregação, como aulas de escola bíblica dominical para crianças.
De acordo com informações da entidade ChinaAid, Bob Fu afirmou que o caso representa um aumento das restrições à liberdade religiosa no país: “Esta é uma escalada profundamente preocupante da campanha da China contra a liberdade religiosa”, declarou Fu.
“Criminalizar a escola dominical e o compartilhamento pacífico da fé com crianças é um abuso ultrajante da lei e um ataque direto aos direitos fundamentais dos pais e das igrejas”.
Especialistas jurídicos chineses também manifestaram preocupação com o conteúdo das acusações e com a condução do processo.
Segundo a legislação chinesa, o crime de “incitar menores a praticar atividades que prejudiquem a ordem pública” costuma ser aplicado em casos relacionados a brigas, roubos ou outras condutas consideradas ameaças à ordem social.
Defensores da liberdade religiosa afirmam que o uso dessa acusação contra práticas ligadas à educação religiosa e à participação familiar em cultos cristãos representa uma ampliação da aplicação do direito penal.
“A Constituição da China diz que protege a crença religiosa, mas na prática o PCCh está visando cidadãos cumpridores da lei que por acaso frequentam a igreja com seus filhos”, afirmou Fu.


