sexta-feira, 22, maio , 2026 01:19

Falso profeta disse a fiel que fazer sexo com ele a protegeria


Treva Edwards, de 61 anos, fundador da igreja “Jesus é o Senhor pelo Espírito Santo”, em Orange, foi acusado pelas autoridades federais dos Estados Unidos de tráfico sexual mediante força, fraude ou coerção, além de trabalho forçado e conspiração para trabalho forçado.

Segundo o Gabinete do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Nova Jersey, a esposa dele, Christine Edwards, de 64 anos, também responde por conspiração para cometer trabalho forçado.

As acusações afirmam que o casal recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade financeira e familiar para integrar a igreja, que funcionava em um prédio de apartamentos em Orange, entre 2010 e 2025.

De acordo com os investigadores, Treva Edwards se apresentava como profeta capaz de se comunicar diretamente com Deus e dizia às vítimas que a desobediência às suas orientações resultaria em punições espirituais e consequências físicas, emocionais e financeiras.

As autoridades afirmam que os membros da igreja eram enviados para realizar trabalhos braçais em propriedades residenciais e comerciais da região, por meio de contratos obtidos pelo casal, sem receber remuneração.

“Treva Edwards pregava às vítimas que comunicava a vontade de Deus, que era da vontade de Deus que elas trabalhassem e que os membros tinham que realizar trabalhos para servir a Deus. Os Edwards convenceram as vítimas de que elas perderiam o favor de Deus e do ‘Profeta’ se não realizassem trabalhos”, declarou o gabinete do procurador dos EUA.

Segundo a acusação, o casal também impunha regras rígidas relacionadas à alimentação, sono, oração, trabalho e contato com pessoas de fora da igreja. Os investigadores afirmam que as vítimas eram isoladas e monitoradas constantemente.

“Os Edwards instituíram e impuseram regras rígidas sobre quando e se as vítimas podiam comer ou dormir, quando e por quanto tempo deveriam orar e trabalhar, e se podiam falar com pessoas de fora da igreja ou sair do prédio. Eles isolaram as vítimas, monitoraram suas comunicações e paradeiro, e as convenceram de que as pessoas de fora da igreja eram más ou possuídas pelo demônio”, informou a acusação.

As autoridades também acusam Treva Edwards de abusos físicos e sexuais contra integrantes da igreja. Segundo o processo, uma das vítimas foi agredida repetidamente entre 2012 e dezembro de 2019 dentro do prédio utilizado pela congregação.

“Treva Edwards obrigou a Vítima 3 a ter relações sexuais com ele, em parte usando força física e em parte dizendo à Vítima 3 que ter relações sexuais com ele era a vontade de Deus e impediria que a Vítima 3 desenvolvesse problemas mentais”, afirma a acusação.

Os promotores também alegam que Edwards orientou uma das mulheres a realizar um aborto após ela engravidar dele. Em comunicado, o procurador federal Robert Frazer afirmou que o acusado utilizava influência religiosa para controlar pessoas vulneráveis.

“Treva Edwards supostamente explorou a fé, o medo e a coerção para controlar vítimas vulneráveis em seu próprio benefício. Conforme alegado na acusação complementar, Edwards manipulou membros de sua igreja para que realizassem trabalho não remunerado e submeteu as vítimas a abusos físicos, emocionais, espirituais e sexuais sob o pretexto de autoridade religiosa”, declarou, segundo informações do portal The Christian Post.

Se condenado pelas acusações de tráfico sexual mediante força, fraude ou coerção, Treva Edwards poderá receber pena mínima de 15 anos de prisão e máxima de prisão perpétua. Ele também pode ser condenado à prisão perpétua pelas acusações relacionadas a trabalho forçado, caso seja comprovada a ocorrência de abuso sexual agravado.





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