O dia amanheceu ensolarado, neste domingo (24), de Virada Cultural, e o céu com poucas nuvens fez parte da paisagem de abertura do show da Gretchen, às 11h, no palco da avenida São João, no centro de São Paulo.
À Folha, Gretchen diz que o show pela manhã foge do que está habituada, com apresentações à noite. Quanto ao seu público, ela define como “uma gama de idades muito grande”. “Meu público abrange tudo. Do mais velho de 80 anos que me acompanha, ao público LGBTQIAP+, que é imenso, e ao público superjovem que me conhece como a rainha da internet.”
Além da música, o show contou também com uma apresentação de balé aéreo. Três dançarinas ficaram suspensas por uma corda levantada por guindaste. O grupo apresenta ainda hoje, também na avenida Paulista.
O perfil da plateia era diverso, especialmente em idade. Jovens com roupas da cultura clubber, vindos do palco techno da República, se misturaram a pessoas de mais idade. A Polícia Militar estima que 700 pessoas acompanharam o show.
Maria José dos Santos, 56, é fã da cantora desde os 12 anos e já esteve em quatro shows da Gretchen entre São Paulo e Salvador. Ela veio em família para a Virada Cultural, acompanhada da irmã, Joana Batista dos Santos, 51, que relembrou as festas que faziam na juventude ao som da cantora. “A gente fazia baile com radinho de pilha. A Gretchen é maravilhosa”, contou.
A sobrinha Taiana Ana dos Santos, 18, foi ao show pela primeira vez, assim como a pinscher Cristal, de 1 ano e 6 meses. “A Cristal adora música. Ela ficou quietinha durante o show, mas em casa dança com a gente. A música favorita dela é ‘Piripipi’”,
Houve também um aceno para a geração mais nova. Gretchen completa 67 anos em 2026, ou melhor, nas palavras da Rainha do Bumbum, “esse ano é six seven” —em referência à gíria nonsense que nasceu nas redes sociais e se alastrou entre a geração Z.
Mesmo assim, ela louva a idade em que se encontra. “Tenho vaga especial no shopping, fila preferencial, mas vocês não imaginavam que iria envelhecer assim”, enquanto passava a mão pelo corpo. O aceno à geração mais nova é justificado. “Eu tenho que estar atenta ao repertório para agradar os jovens e mais velhos ao mesmo tempo.”
Gretchen também reforçou a importância da diversidade e do respeito. Antes de tocar “Dança Kuduro”, ela relembra que, antigamente, as pessoas tinham que dançar as músicas escondidas, para fugir da repressão. “A diversidade está aí, o povo tem que respeitar, e hoje você pode dançar sim.”
A plateia aplaudiu a cantora com gritos e batidas de leque. Da grade, os fãs que chegaram mais cedo para o show da Joelma vibraram quando Gretchen cantou os versos de “Voando pro Pará”, música mais conhecida de Joelma.
Yohana, 29, Ketlliny, 37 e Yuri, 16, estão no front palco São João desde as 7h da manhã para assistirem ao show da ex-Calypso, que ocorre apenas no fim da tarde, às 18h.
Antes de tomar o tacacá, Gretchen quis deixar claro que não é inimiga de Joelma, como sugerem rumores. “Muito pelo contrário”. Foi então que começou a cantar.
Mesmo com o sol, as nuvens cinzas chegaram aos últimos 15 minutos do show. “Até o céu ficou triste, mas não vai chover. O brilho do Sol eu levo comigo”, disse Gretchen. “Tem lugar que eu chego e o sol se abre. Foi assim no [bloco] Agrada Gregos”, diz.
Durante a apresentação, a cantora arrancou uma pluma da saia e entregou para um fã. Ela também revelou que o figurino usado no show era da Shein. “Eu amo a Shein, e não é propaganda, viu? As peças são boas e baratas. O look de toda a equipe hoje é da Shein”, afirmou.
Não houve registro de ocorrências no show, nem desmaios ou confusões.
noticia por : UOL


