terça-feira, 26, maio , 2026 02:28

Liberdade de expressão: Governo da Suécia deixa de usar o termo “islamofobia”

A ministra de Relações Estrangeiros sueca, Maria Malmer Stenergard, anunciou que o governo pretende abandonar não apenas a palavra “islamofobia”, mas todo o conceito subjacente, em nome da defesa da liberdade de expressão.

Em seu lugar, explicou Stenergard, Estocolmo passará a defender o uso de expressões mais precisas, como “ódio antimuçulmano”. A decisão marca uma ruptura clara com a linguagem dominante das últimas décadas e que ameaça reorganizar o debate público muito além das fronteiras escandinavas. Aliás, é sabido que as acusações de islamofobia são utilizadas em todo o mundo para silenciar quem ousa questionar as doutrinas islamistas.

Nascida em 1979, formada em Direito, Stenergard é há muito considerada a “princesa herdeira” do primeiro-ministro Ulf Kristersson. Figura conhecida do Partido Moderado, ex-promessa do tênis juvenil e hábil comunicadora, ela era ministra da Imigração antes da remodelação governamental que a transferiu para os Relações Exteriores. O país a conheceu pela linha intransigente na aplicação do Acordo de Tidö — o acordo de coalizão governamental: reduzir drasticamente as entradas irregulares e facilitar o repatriamento para os países de origem. Agora, como ministra de Relações Exteriores, leva a mesma coerência para o plano internacional: a Suécia não se limitará a mudar o vocabulário internamente, mas pretende pressionar para que a União Europeia e as Nações Unidas sigam o exemplo.

Tanto a UE quanto a ONU adotaram o conceito de islamofobia. As Nações Unidas instituíram em 2022 um Dia Internacional para combatê-la e nomearam um enviado especial dedicado ao tema; a União Europeia financiou projetos, nomeou coordenadores e produziu relatórios que tratam o fenômeno como uma categoria à parte, mas sobretudo como uma emergência de primordial importância para todo o continente. O peso dessa batalha lexical também se deve ao panorama internacional: a Organização da Cooperação Islâmica (OCI), sediada na Arábia Saudita e que reúne 57 Estados de maioria muçulmana, mantém há anos um Observatório sobre a Islamofobia que produziu pelo menos dezessete relatórios sobre o assunto nas últimas duas décadas. Em 2022, a Assembleia Geral das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional de Combate à Islamofobia, celebrado em 15 de março. No Reino Unido, novembro tornou-se o “Mês de Consciência sobre a Islamofobia”, iniciativa especialmente disseminada nas universidades inglesas. Não existe nenhum dia equivalente para combater o ódio contra cristãos ou judeus.

A decisão sueca chega em resposta às insistentes cobranças dos Democratas Suecos, que culminaram na interpelação parlamentar do deputado Richard Jomshof. Ele acusou colegas e jornalistas de terem “mordido a isca islamista”, destacando que o termo é frequentemente usado também contra muçulmanos que lutam pelos direitos das mulheres. Aliás, há tempos os analistas sustentam que o termo “islamofobia” foi habilmente promovido por redes islamistas justamente para equiparar a contestação da doutrina islamista, das prescrições da sharia ou das aspirações políticas ao ódio racial, calando, de uma só vez, qualquer voz dissonante.

Em particular, o conceito remete ao repertório ideológico da Irmandade Muçulmana, a organização islamista sunita transnacional fundada no Egito em 1928. O grupo foi designado oficialmente como entidade terrorista em vários países de maioria muçulmana. O Egito, sua terra de origem, o proibiu e declarou organização terrorista já em 2013. Em 2014, foram seguidos pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Bahrein. A Irmandade Muçulmana e suas redes ramificadas souberam direcionar perfeitamente o potencial desse termo, transformando-o em uma arma retórica de extraordinário sucesso: colocar a ideologia política islamista acima de qualquer crítica.

A iniciativa de Estocolmo insere-se assim em uma tentativa mais ampla e histórica de combater a infiltração islamista na sociedade sueca. Em maio de 2025, um relatório do Ministério do Interior francês intitulado “Irmandade Muçulmana e islamismo político na França” destacou a “presença ativa” da organização também na Suécia.

Segundo o jornal Le Monde, o documento ressalta que a seção sueca da Irmandade Muçulmana, “embora de dimensões reduzidas, distingue-se pela sua influência sobre as estruturas europeias do movimento”. A influência se deve, segundo o relatório, aos financiamentos provenientes do Catar, à grande tolerância das políticas multiculturais suecas na última década e aos bons relacionamentos mantidos com partidos políticos locais, em particular os Social-Democratas. Um relatório tão delicado e alarmante que levou o governo sueco a abrir, em outubro de 2025, uma investigação oficial sobre a infiltração islamista no tecido social do país.

Diante do evidente avanço islâmico na Suécia, em entrevista ao Expressen, a ministra da Educação e Integração, Simona Mohamsson, usou palavras diretas: “Vemos que o islamismo político ganhou terreno e lhe foi permitido apoderar-se de bairros, escolas, serviços sociais e corre até o risco de tomar o controle dos partidos políticos. Por isso, temos de reagir. O islamismo não quer constituições, mas a lei da sharia. Não quer integração, mas segregação. Quer que os homens tenham controle sobre as mulheres e que não seja permitido amar quem se quiser. Há muitos islamistas que pensam que sabem mais e que tomaram o controle da sociedade, e nós permitimos que isso acontecesse. Não reagimos”.

É nesse contexto que o anúncio de Estocolmo sobre o banimento da palavra islamofobia se insere, mas chega também após anos de pressão por parte dos Democratas Suecos. Um partido que durante muito tempo foi rotulado como “racista” e, justamente, “islamofóbico” por ter ousado denunciar as consequências do massivo fluxo de imigrantes muçulmanos que transformou a Suécia em um dos países europeus com a maior taxa de acolhimento per capita. A essa generosidade sem precedentes corresponderam a formação de sociedades paralelas, bairros inacessíveis às forças da ordem, “no-go zones”, o colapso do sistema de bem-estar social, uma das maiores taxas de violência sexual registada do continente e uma onda de criminalidade organizada que ensanguentou as cidades com tiroteios, atentados e explosões de gangues de imigrantes. Problemas que explodiram também porque, por muito tempo, muitos preferiram calar a correr o risco da etiqueta infamante de islamofóbico.

© 2026 La Nuova Bussola Quotidiana. Original em italiano: La Svezia mette al bando il termine “islamofobia” per autodifesa.

noticia por : Gazeta do Povo