A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,62% em maio, após marcar 0,89% em abril, apontam dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O novo resultado, contudo, ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,57%, segundo a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas coletadas ia de 0,47% a 0,65%.
Com os dados de maio, o IPCA-15 passou a acumular alta de 4,64% em 12 meses, disse o IBGE. A variação era de 4,37% até abril.
A meta de inflação, que serve de referência para a política de juros do BC (Banco Central), leva em consideração outro índice calculado pelo IBGE, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).
O teto da meta é de 4,5% no acumulado de 12 meses.
Por ser divulgado antes e ter uma composição semelhante, o IPCA-15 sinaliza uma tendência para o IPCA. Uma das diferenças entre os dois é o período de coleta dos preços.
A apuração do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o resultado de maio ainda não está fechado. Será divulgado pelo IBGE em 12 de junho.
Já a coleta do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso do índice de maio, divulgado nesta quarta, a apuração foi realizada de 16 de abril a 15 de maio.
Com a guerra no Irã, analistas aumentaram as projeções para a inflação, o que preocupa o governo Lula (PT) em ano eleitoral.
O conflito no Oriente Médio pressionou as cotações do petróleo no mercado internacional, elevando os preços de combustíveis em países como o Brasil.
No boletim Focus, publicado pelo BC, a mediana das estimativas do mercado financeiro para o IPCA de 2026 subiu nas últimas 11 semanas. A previsão mais recente, divulgada na segunda (25), chegou a 5,04%.
A meta de inflação perseguida pelo BC tem centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa teto de 4,5% e piso de 3% para o IPCA acumulado em 12 meses.
A meta é considerada descumprida quando a taxa permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância.
Além dos impactos da guerra, a ameaça do El Niño também traz preocupação para o cenário de inflação.
Caso o risco de um evento climático com intensidade forte se confirme neste ano, poderá dificultar o cultivo de alimentos, afetando os preços, dizem economistas.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal do Oceano Pacífico na região da linha do Equador.
Tradicionalmente, aumenta o risco de seca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, enquanto favorece chuvas intensas no Sul.
noticia por : UOL


