O pastor aposentado Clive Johnston anunciou que vai recorrer da condenação recebida após pregar próximo ao Hospital Causeway, na Irlanda do Norte. O religioso foi considerado culpado neste mês por violar a Lei de Serviços de Aborto (Zonas de Acesso Seguro).
Segundo as autoridades, Johnston realizou sermões ao ar livre em 2024 a menos de 100 metros do hospital, área abrangida pela legislação que estabelece zonas de proteção relacionadas a serviços de aborto. Durante uma das pregações, policiais informaram ao pastor que ele deveria utilizar um espaço “seguro”, como uma capelania.
O pastor foi condenado por duas acusações ligadas à legislação e recebeu multa de £450, equivalente a cerca de US$ 604. De acordo com sua defesa, o sermão tinha como tema João 3:16 e não fazia menção ao aborto.
Ao comentar a decisão judicial, Johnston afirmou que a condenação cria um precedente preocupante para a liberdade religiosa e de expressão.
“Eu não estava protestando contra o aborto. Eu estava pregando o Evangelho pacificamente, lendo a Bíblia e apontando às pessoas a esperança encontrada em Jesus Cristo”, declarou.
O pastor acrescentou: “Se essa condenação for mantida, sinalizará que o testemunho cristão básico e as expressões públicas de fé podem ser criminalizadas simplesmente por ocorrerem no local errado. Isso deveria preocupar todas as pessoas que valorizam a liberdade religiosa e a liberdade de expressão, independentemente de suas opiniões sobre o aborto”.
O caso está sendo acompanhado pelo Instituto Cristão, que classificou a decisão como uma ameaça à liberdade religiosa no Reino Unido, segundo informações do portal The Christian Post.
O vice-diretor da entidade, Simon Calvert, afirmou que o processo não envolve acusações de intimidação ou assédio. “Este caso nunca teve a ver com assédio ou intimidação. Ninguém alegou que Clive Johnston se envolveu em algo sequer próximo a esse tipo de comportamento. Trata-se de saber se o Estado pode criminalizar a expressão pacífica da fé cristã em um local público sob as leis de zona de proteção ao aborto”, declarou.
Calvert também afirmou: “As implicações desta perigosa decisão vão muito além de um único pastor na Irlanda do Norte. Se as autoridades públicas podem processar alguém por ler a Bíblia e pregar sobre o amor de Deus, então as liberdades fundamentais estão em risco”.
O caso repercutiu internacionalmente. O Departamento de Estado dos Estados Unidos já havia manifestado preocupação com situações semelhantes, classificando-as como possível “violação flagrante” de direitos fundamentais.
O evangelista Franklin Graham também comentou o caso: “O pastor Johnston nem sequer mencionou o aborto; ele apenas pregou o Evangelho em um espaço público. Espero que sua equipe jurídica no Instituto Cristão tenha sucesso no recurso”, afirmou.
O deputado conservador britânico Jacob Rees-Mogg declarou: “É extraordinário que, em um país cristão, a polícia considere um crime pregar a palavra de Deus em frente a um hospital”.


