terça-feira, 9, junho , 2026 04:29

esgotamento mental atinge 72% dos trabalhadores no país


O esgotamento mental tem afetado uma parcela crescente dos trabalhadores brasileiros e já é apontado por especialistas como um dos principais desafios relacionados à saúde e ao desempenho profissional.

Um levantamento realizado pela empresa Starbem identificou que 72% dos participantes vivem sob níveis elevados de tensão, em um estado descrito como “modo de sobrevivência”, caracterizado por alerta constante e exposição prolongada ao estresse.

A pesquisa acompanhou 1.868 pessoas durante seis meses e concluiu que a pressão contínua pode comprometer funções importantes do cérebro, incluindo planejamento, tomada de decisões, criatividade e relacionamento interpessoal. Segundo os dados, esse quadro dificulta a concentração, reduz a capacidade de resolver problemas e aumenta a sensação de sobrecarga no dia a dia.

Um dos efeitos mais frequentes aparece na qualidade do sono. O estudo mostrou que 58% dos entrevistados avaliam seu descanso como ruim ou muito ruim, enquanto apenas 13% consideram que dormem bem. Os pesquisadores observaram que o aumento da tensão emocional tende a agravar problemas relacionados ao sono, criando um ciclo que contribui para o desgaste físico e psicológico.

Os impactos também alcançam a vida fora do ambiente de trabalho. Embora muitas pessoas consigam encerrar suas atividades profissionais ao fim do expediente, grande parte permanece mentalmente conectada a preocupações, metas e cobranças. Como resultado, cresce a dificuldade de participar plenamente da convivência familiar e social.

De acordo com a análise, fatores como hiperconectividade, excesso de notificações, disponibilidade permanente e pressão por desempenho contribuíram para tornar a ansiedade uma condição cada vez mais presente na rotina de muitos profissionais. O levantamento sugere que esse cenário deixou de ser um reflexo temporário do período pós-pandemia e passou a integrar a dinâmica da vida contemporânea.

A pesquisa também identificou que o excesso de pressão pode produzir o efeito contrário ao esperado por muitas organizações. Em vez de aumentar a produtividade, a ansiedade crônica está associada a episódios de névoa mental, condição que reduz a clareza de pensamento e pode prolongar o tempo necessário para executar tarefas simples.

Outro fenômeno destacado é o presenteísmo, situação em que o trabalhador comparece regularmente ao emprego, mas atua abaixo de sua capacidade devido ao desgaste emocional. Diferentemente das ausências por problemas de saúde, esse quadro costuma passar despercebido, embora possa gerar impactos significativos para profissionais e empresas.

Apesar do cenário preocupante, os pesquisadores observaram sinais de recuperação entre participantes que receberam acompanhamento psicológico adequado. Nesses casos, houve melhora nos níveis de foco, disposição e motivação, de acordo com a revista Comunhão.

O relatório conclui que a prevenção do esgotamento mental depende de medidas voltadas à recuperação física e emocional. Entre as estratégias apontadas estão manter uma rotina de sono adequada, estabelecer limites para o uso de dispositivos digitais, realizar pausas durante o trabalho, praticar atividade física regularmente e preservar momentos de lazer e convivência social.

Especialistas também alertam para sinais que podem indicar agravamento do quadro, como cansaço persistente mesmo após períodos de descanso, dificuldades frequentes de concentração, perda de produtividade, alterações de humor, insônia e desinteresse por atividades que antes proporcionavam satisfação. Nesses casos, a busca por apoio profissional é considerada fundamental para evitar o desenvolvimento de problemas mais graves, como transtornos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout.





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