quarta-feira, 10, junho , 2026 05:38

Batistas nos EUA consolidam proibição à ordenação de mulheres


Os delegados da Convenção Batista do Sul aprovaram uma proposta de emenda constitucional que reforça a proibição de mulheres exercerem funções pastorais na denominação. A votação ocorreu durante a assembleia anual realizada em Orlando e foi considerada uma vitória para os grupos que defendem uma interpretação mais conservadora da liderança eclesiástica.

A medida, conhecida como “Emenda da Verdade e da Unidade”, foi apresentada por Albert Mohler Jr., presidente do Seminário Teológico Batista do Sul. O texto recebeu 6.028 votos favoráveis e 2.026 contrários, alcançando 74,66% de aprovação, acima da maioria de dois terços exigida para alterações constitucionais.

A proposta ainda precisará ser aprovada novamente na reunião anual da denominação em 2026 para entrar oficialmente em vigor. A emenda estabelece que uma igreja cooperante da Convenção Batista do Sul não deve “afirmar, nomear ou endossar” mulheres para o cargo ou função de pastora, presbítera ou supervisora, incluindo a pregação à congregação reunida.

A votação foi precedida por um breve debate que evidenciou divergências sobre o nível de autoridade que a denominação nacional deve exercer sobre as igrejas locais.

O pastor Doug Mize, da Carolina do Sul, argumentou que a medida era desnecessária, afirmando que a convenção já possui mecanismos para lidar com igrejas que apoiam mulheres em funções pastorais.

“O que já temos funciona”, declarou. Segundo ele, a Declaração de Fé Batista já limita o ofício pastoral aos homens e o número de igrejas ligadas à convenção com mulheres pastoras tem diminuído nos últimos anos.

Os defensores da proposta afirmaram que a emenda oferece maior clareza doutrinária em um contexto de debates crescentes sobre gênero e liderança religiosa nos Estados Unidos.

O pastor Colin Smothers, do Kansas, classificou a medida como compatível com as Escrituras e afirmou que a cultura contemporânea tem ampliado discussões sobre identidade de gênero.

“É difícil olharmos para a direita ou para a esquerda sem encontrarmos confusão sobre gênero”, disse. “Que melhor maneira de expressar nosso compromisso contracultural com a bondade da Palavra de Deus do que afirmar a ordem da criação de Deus relacionada ao ofício de pastor?”

Após sua manifestação, o debate foi encerrado e a proposta seguiu para votação. Durante a sessão, também foram levantadas dúvidas sobre os impactos da emenda em outras funções exercidas por mulheres, como professoras, diretoras de ministérios e missionárias.

Questionado sobre esse ponto, o então presidente da convenção, Clint Pressley, respondeu: “A emenda diz o que diz”.

Antes da votação, Mohler havia defendido publicamente a proposta em um vídeo divulgado na internet. Segundo ele, a medida busca esclarecer a posição oficial da denominação sobre o ofício pastoral e reduzir debates recorrentes sobre o tema.

O líder comparou a iniciativa a alterações constitucionais aprovadas anteriormente pela convenção para definir critérios de cooperação relacionados a questões envolvendo sexualidade. Na avaliação dele, esse tipo de definição contribui para fortalecer a unidade doutrinária da denominação.

A discussão ocorre um ano após uma proposta semelhante não alcançar os votos necessários durante a reunião anual realizada em Dallas, no Texas. Na ocasião, embora tenha recebido maioria simples, a medida não atingiu o percentual mínimo exigido para mudanças constitucionais.

Entre os opositores da proposta estava o pastor James Goforth, do Missouri. Ele argumentou que a autonomia das igrejas locais é um princípio histórico dos batistas do sul e afirmou que a medida poderia ampliar excessivamente a supervisão da convenção sobre as congregações filiadas.

De acordo com o The Christian Post, para permitir que a emenda fosse votada já neste ano, os delegados aprovaram a suspensão de uma regra interna que adiaria a análise da proposta para a assembleia de 2026. Com isso, o texto recebeu sua primeira aprovação formal em Orlando e seguirá para uma segunda votação no próximo ano.





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