quarta-feira, 10, junho , 2026 06:40

Transferências de R$ 102 milhões colocam Banco Master no centro de investigação sobre crime organizado

DO REPÓRTERMT

Um repasse de R$ 102 milhões feito pelo Banco Master entre 2023 e 2025 pode ligar o banqueiro Daniel Vorcaro ao crime organizado. De acordo com a Folhapress, os pagamentos, classificados pelo Master como prestação de serviços, foram destinados ao setor varejista de postos de combustíveis.

A Metanoein Participações e Consultoria Ltda., que é alvo de investigação por suposto esquema de lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa no Rio de Janeiro, foi a empresa que recebeu os valores do Banco Master.

A sócia-administradora da empresa, Rose Evelyn Machado Coité, é apontada pelo Ministério Público Federal como dona de uma rede de postos operada por meio de laranjas.

Ainda conforme a Folhapress, Rose Coité é conhecida em Bangu, bairro da capital fluminense, como empresária do ramo de combustíveis e viúva do advogado criminalista César Pimentel Coité, que morreu em 2020.

Contudo, ela não possui nenhum posto de combustível registrado em seu nome nem no nome dos filhos.

Registros da Receita Federal mostram a participação de Rose em empresas de outros segmentos, como escritório de advocacia, consultoria e diagnósticos médicos.

A Metanoein é registrada como empresa de serviços de escritório.

Nos últimos meses, a empresa foi alvo de uma medida da 8ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro que impediu a transferência de valores.

O Ministério Público Federal também pediu o sequestro de contas e aplicações financeiras de Rose e de seus filhos, apontados como os reais proprietários dos postos de combustíveis registrados em nome de terceiros.

A Folhapress tentou contato com a empresária, mas não obteve resposta. Já a assessoria de Daniel Vorcaro informou que a defesa dele não irá se manifestar sobre o assunto.

A Metanoein possui características semelhantes às da empresa Mídas Promotora, que recebeu R$ 126 milhões do Banco Master. Ambas funcionam em escritórios localizados nas proximidades do calçadão de Bangu.

A Folhapress apontou que as duas empresas possuem características em comum. Cada uma é sócia de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP), constituídas exatamente no mesmo dia: 28 de julho de 2021.

A SCP é uma estrutura empresarial com menor nível de regulação e que opera com dois tipos de sócios: o ostensivo, que aparece nos registros oficiais, e o participante, que permanece oculto.

As duas empresas também estão entre as que receberam os maiores volumes de recursos do Banco Master, de acordo com dados enviados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado.

FONTE : ReporterMT