
Separados pelo ICE é o nome da fotografia tirada por Carol Guzy e vencedora do prêmio Imagem do Ano de 2026 do World Press Photo.
Carol Guzy/ZUMA Press, iWitness para Miami Herald/World Press Photo 2026 via BBC
Jogos de futebol nos Estados Unidos se tornaram um dos grandes alvos de ações do ICE, o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA que “caça” imigrantes por ordem do presidente dos EUA, Donald Trump. A conclusão é de um relatório da organização norte-americana Human Rights Soccer Alliance.
Segundo o relatório, 17 pessoas ligadas a eventos de futebol nos EUA, entre jogadores, treinadores e pais de atletas, já foram detidas — e algumas, deportadas — desde o início de 2025, quando o ICE iniciou as ações nas ruas do país.
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No documento, divulgado na semana passada, a ONG afirma que os eventos ligados ao futebol viraram um alvo forte do ICE por se tratar um esporte mais praticado entre comunidades latino-americanas — norte-americanos costumam preferir o futebol americano. E expressa temor de que os agentes do ICE utilizem jogos da Copa do Mundo para seguir com as detenções.
“O futebol nos Estados Unidos está profundamente enraizado nas comunidades imigrantes. Por gerações, serviu como um espaço de pertencimento e expressão cultural. No entanto, (…) as ações de fiscalização se estenderam a espaços centrais do futebol, incluindo escolas, parques, centros comunitários e instalações esportivas”, diz o documento.
👉 Os agentes do ICE não foram proibidos de fazer prisões em jogos da Copa, e nenhuma orientação oficial foi emitida para evitar detenções imigratórias nos estádios. Diante desse cenário, a ONG pede no relatório que:
A FIFA garanta a proibição da aplicação da política anti-imigração do governo Trump “em todos os locais da Copa do Mundo e em seus arredores”;
a FIFA não compartilhe dados do público com autoridades de imigração;
equipes não cooperem com autoridades de imigração, exceto em caso de mandado judicial.
17 casos
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O relatório documenta ainda 17 casos de pessoas ligadas ao mundo do futebol que foram detidas. Do total, três foram deportados, caso do jogador Emerson Colindres, que foi detido no dia em que se formou no Ensino Médio de uma escola em Ohio e deportado para Honduras, de onde havia saído com os pais aos 8 anos.
Em outro caso, dois jogadores foram presos enquanto treinavam em um campo de futebol no Pier 40, complexo esportivo em Nova York.
O relatório cita ainda a deportação de um imigrante na porta do estádio MetLife, onde havia ido com os filhos para assistir à final do Mundial de Clubes da FIFA, disputado no ano passado nos EUA.
👉 O relatório afirma que as cidades-sede dos jogos da Copa são especialmente sensíveis. Com base em dados do próprio governo, o documento aponta que, entre 20 de janeiro de 2025, quando Trump tomou posse, a 15 de outubro de 2025, o ICE prendeu 92.392 pessoas nas cidades onde serão disputadas as partidas, número acima da média, ainda de acordo com ONG.
‘Não venham’, diz ONG
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Na quarta-feira (10), grupos de defesa dos direitos dos imigrantes se reuniram em frente à sede da FIFA em Miami para alertar a organização do risco de novas ações do ICE e pediram que estrangeiros evitem ir aos EUA para assistir aos jogos da Copa.
“Avisamos que haveria detenções arbitrárias, a possibilidade de pessoas terem a entrada negada nos EUA, discriminação racial e muito mais. Tudo isso está acontecendo, já aconteceu e continuará acontecendo”, disse a ativista Yarelíz Méndez Zamora, membro do Comitê de Serviço dos Amigos Americanos, ONG que atua em defesa de imigrantes na Flórida.
O grupo expressou à federação de futebol a preocupação de que as recentes ações do governo dos EUA para barrar a entrada de estrangeiros — caso do árbitro somaliano Omar Artan, impedido de entrar para apitar jogos da Copa — podem impactar nos visitantes internacionais.
“As últimas 72 horas comprovaram nossos piores temores, e eu gostaria de enviar uma mensagem a todos ao redor do mundo. Torcedores, jogadores, técnicos, árbitros, se vocês ainda não embarcaram, mesmo com visto válido, não façam isso. Não venham”, disse o cineasta e ativista Billy Corben.
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Fonte: G1


