quarta-feira, 17, junho , 2026 06:28

Posto Bom Clima fecha acordo com o MP e vai pagar R$ 143 mil por cobrança abusiva da gasolina

ANA JÁCOMO

DO REPÓRTERMT

O posto Bom Clima Comércio de Combustíveis e Lubrificantes Ltda., localizado na Avenida República do Líbano em Cuiabá, firmou um acordo judicial com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para o pagamento de R$ 143.967,00, encerrando uma disputa jurídica que se arrastava desde 2011.

Em posicionamento oficial enviado com exclusividade ao RepórterMT, a defesa sustentou que a decisão de assinar o acordo buscou apenas a segurança jurídica e garantiu que nenhum cliente foi efetivamente prejudicado. O litígio teve origem em uma Ação Civil Pública que condenou o posto a indenizar clientes por praticar um suposto sobrepreço de 5,07% na venda de gasolina entre outubro de 2010 e março de 2011.

Contudo, os desdobramentos processuais revelaram que o trânsito em julgado da condenação acabou ocorrendo em maio de 2018 devido a uma falha técnica de prazos. O proprietário da época chegou a apelar da decisão, mas o recurso não foi ratificado devido a uma tramitação anterior.

MPE cobrou valores mesmo sem clientes interessados

A homologação da sentença, assinada pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ações Coletivas da Comarca de Cuiabá, detalha uma batalha de cálculos contábeis. O MPE chegou a pedir uma quantia atualizada que batia os R$ 287.934,69 por meio do mecanismo jurídico de reparação fluida (fluid recovery).

A defesa da empresa explicou ao portal que, por lei, os consumidores deveriam comparecer ao Ministério Público munidos de cupom fiscal da época para comprovar a compra e receber a restituição.

O prazo legal de um ano transcorreu sem que uma única pessoa se manifestasse nos autos. Mesmo com a ausência de interessados em reaver o dinheiro, o órgão ministerial deu continuidade à cobrança do faturamento global, o que motivou o posto a buscar o acordo para estancar os custos da ação.

O Ministério Público continuou cobrando esse valor, mesmo sem nenhum consumidor ter habilitado. No final, preferiu-se por fazer o acordo porque estávamos discutindo o valor e discutindo isso, que nenhum consumidor tinha se habilitado para receber qualquer quantia referente a ter sofrido alguma lesão pelo posto“, explicou a defesa.

Por meio de nota oficial enviada pelas advogadas constituídas, Ludimila Almeida Pereira de Sena e Marina Bonjour Machado, o Posto Bom Clima enfatizou que a composição amigável não representa assumir culpa por danos, mas sim uma estratégia empresarial para dar um ponto final ao desgaste judicial de mais de uma década.

O Posto Bom Clima ressalta, ainda, que nenhum consumidor foi efetivamente lesado pelos fatos discutidos no processo. Tanto é assim que, ao longo da tramitação da ação, nenhum consumidor se habilitou nos autos principais com o objetivo de pleitear eventual indenização ou ressarcimento. A empresa reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito“, diz trecho da nota oficial.

Pelo cronograma validado pelo Poder Judiciário, o montante de R$ 143,9 mil será quitado de forma parcelada em 12 prestações mensais de R$ 11.998,00. Os depósitos judiciais mensais serão revertidos ao Fundo Estadual de Defesa do Consumidor (Fundecon/MT) para aplicação em fins sociais e de fiscalização do mercado consumidor na Capital.

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FONTE : ReporterMT