A primeira rodada de negociações entre os EUA e o Irã na Suíça terminou nesta segunda-feira (22), noite de domingo (21) no Brasil, disseram Qatar e Paquistão, que atuaram como mediadores.
Em declaração conjunta, eles afirmam que os EUA e o Irã concordaram com um roteiro para um acordo final em 60 dias. As negociações técnicas continuarão durante o resto da semana no resort de montanha suíço de Bürgenstock, de propriedade do Qatar, segundo o comunicado, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores qatari.
As partes concordaram com um mecanismo para pôr fim aos combates no Líbano e abriram uma linha de comunicação para ajudar a garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito de Hormuz, afirmou também o comunicado.
O vice-presidente dos EUA, J. D. Vance, iniciou conversas com autoridades iranianas no domingo, nos termos de um memorando de entendimento alcançado na semana passada para estender um frágil cessar-fogo em vigor desde abril por pelo menos mais 60 dias. As discussões continuaram até as primeiras horas da manhã de segunda-feira.
Em uma publicação nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que seu país obteve isenções para as exportações de petróleo e produtos petroquímicos, a liberação de alguns ativos congelados e o lançamento de um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã.
A Casa Branca não se pronunciou de imediato quando questionada se as negociações de alto nível haviam sido encerradas por ora.
Pouco antes do início oficial das negociações no domingo, a Fox News noticiou que Trump teria dito a autoridades iranianas: “Vocês não terão mais um país” se tentarem fechar o estreito novamente. Trump também reiterou uma ameaça anterior de que os EUA assumiriam o controle da hidrovia e possivelmente cobrariam um pedágio, segundo a Fox News.
Trump afirmou ter concordado com o memorando de entendimento da semana passada para evitar uma depressão econômica global causada pelos altos preços do petróleo decorrentes do fechamento do estreito. Os preços do petróleo despencaram na última semana para níveis nunca vistos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, com os ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o Irã.
Após a declaração conjunta, os contratos futuros do petróleo Brent caíram ainda mais, recuando mais de US$ 1 para US$ 79,44 o barril.
A agência de notícias iraniana Tasnim, citando uma fonte a par do tema, disse que, após as ameaças de Trump se tornarem públicas, a delegação iraniana se recusou a retornar à sala onde as negociações estavam sendo realizadas, embora mensagens ainda estivessem sendo trocadas por meio de mediadores paquistaneses e qataris.
Ainda segundo fonte da Tasnim, os iranianos afirmaram que o início das negociações sobre questões nucleares exigia o cumprimento de outras partes do memorando de entendimento, incluindo a liberação de ativos congelados e isenções dos EUA que autorizassem as exportações de petróleo iranianas.
“Os iranianos nunca foram embora e ainda estão aqui reunidos e negociando até altas horas da noite”, disse à agência Reuters um diplomata americano envolvido nas conversas. “Conversamos sobre o estreito, o Líbano, questões nucleares e detalhes da implementação do memorando de entendimento, entre outros assuntos.”
O acordo prevê a reabertura do estreito de Hormuz, um ponto de estrangulamento para os embarques globais de energia, e o fim de todas as hostilidades, inclusive no Líbano, onde Israel continua lançando ataques mortais enquanto o Hezbollah, aliado do Irã, dispara contra alvos israelenses.
O Irã, argumentando que os EUA não cumpriram seu compromisso de cessar os combates no Líbano, afirmou no fim de semana que havia novamente interrompido o tráfego marítimo pelo estreito e que as negociações de domingo não abordariam questões substanciais como o programa nuclear iraniano.
Nas negociações na Suíça, Vance minimizou o impacto da violência no Líbano, afirmando que houve progresso em direção ao fim das hostilidades. “Essas coisas são sempre um pouco complicadas”, disse ele.
Enquanto, nos Estados Unidos, Trump ameaçou retomar os ataques ao Irã caso o país não controlasse seus aliados.
“O Irã deve impedir imediatamente que seus agentes bem pagos no Líbano causem problemas”, escreveu Trump nas redes sociais, aparentemente se referindo ao Hezbollah. “Se não o fizerem, atacaremos o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!”
Mesmo enquanto Trump ameaçava o Irã, Vance disse a repórteres que o presidente dos EUA havia “nos pedido para virarmos a página e transformarmos nosso relacionamento com o povo do Irã”.
Apesar do anúncio de um novo cessar-fogo no Líbano na sexta-feira, há poucos sinais de que os combates estejam chegando ao fim.
O domingo pareceu ser o dia mais tranquilo no Líbano em algum tempo, sem relatos de violência significativa até o anoitecer, após dois dias de intensos ataques israelenses e disparos de combatentes do Hezbollah contra posições israelenses.
Mais de um milhão de pessoas fugiram de suas casas no Líbano desde que Israel invadiu o país em março para perseguir combatentes do Hezbollah que dispararam através da fronteira em apoio a Teerã.
Jornalistas da Reuters no sul do Líbano presenciaram, no domingo, um dos maiores congestionamentos desde a assinatura do memorando, com moradores retornando para suas casas. Alguns observavam os carros parados na rodovia, agitando bandeiras do Hezbollah.
noticia por : UOL



