O uso de Inteligência Artificial (IA) é cada vez mais comum entre estudantes, mesmo sem a autorização formal de professores e escolas. Dados apontam que 84% dos estudantes e 79% dos professores utilizam IA no contexto escolar.
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Esse cenário colocou as escolas diante de uma necessidade que ultrapassa a proibição do uso da ferramenta, é preciso escapar da passividade e tomar decisões sobre o preparo de estudantes para o uso de IA.
Yan Luz, coordenador de segmento da rede Anglo Alante, explica que o papel do educador é não somente ensinar crianças e adolescentes a utilizar as IAs de forma prática, mas apontar regras e criticidades a serem aplicadas durante o uso.
No entanto, o desafio também está presente no atual modelo educacional, que ainda é centrado na memorização e em avaliações tradicionais. Ademar Celedônio, diretor de Ensino e Inovações Educacionais da Arco Educação, defende que o problema não está no uso de IA, mas sim na forma de ensino que não abrange habilidades exigidas no mundo atual.
“A escola ainda está muito baseada em repetição, teoria e prova. Porém, habilidades como resolução de problemas, pensamento crítico, criatividade e colaboração só se desenvolvem na prática”, afirma Ademar Celedônio.
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Estudantes como protagonistas
É preciso que as escolas assumam a frente de ensinar aos estudantes a utilizar as inteligências artificiais de forma responsável, ética e crítica. Sem essa orientação, os alunos podem desenvolver uma relação de dependência e passividade com a ferramenta, utilizando a IA como substituta do pensamento crítico e da criatividade.
“Temos uma multiplicidade de possibilidades, que vão desde o plágio e problemas relacionados à autoria dos conteúdos produzidos, passando por desinformação e reprodução de fake news, chegando a questões mais graves como exposição a riscos digitais e falta de preparo para o mundo do trabalho”, alerta Yan.
Para além da proibição, as escolas devem educar estudantes para o uso consciente da IA enquanto ferramenta de estudos. O coordenador destaca que o objetivo deve ser desenvolver repertório, autonomia intelectual e criticidade nos estudantes para que eles possam lidar com a IA como parte da rotina de estudos.
“Mais do que simplesmente utilizar essa tecnologia, nossos alunos estão sendo conduzidos a compreender como esses sistemas funcionam internamente. São incentivados a refletir sobre como a máquina aprende, de onde se originam os dados que a alimentam e, sobretudo, quais impactos esses processos geram na sociedade”, detalha o coordenador.
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Inclusão do ensino de Inteligência Artificial
A diretora de Avaliação da Arco Educação, Camila Karino, aponta que o Brasil caminha a passos lentos para se adaptar às novas competências exigidas. Segundo ela, “Em 2015, já se falava sobre pensamento criativo. Agora, avançamos para IA e mídia. O Brasil ainda reage de forma muito lenta”.
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Camila ainda defende que a IA também pode ser utilizada para auxiliar no processo de avaliação de alunos, apresentando retornos imediatos, de forma a liberar tempo para professores se dedicarem ao acompanhamento próximo do desenvolvimento dos alunos.
A popularização da IA generativa ainda escancarou a falha no modelo de avaliação da educação brasileira. Segundo a diretora, trabalhos, pesquisas e testes realizados em casa perderam a confiabilidade de conferir competências dos estudantes, o que levou as escolas a retomarem o uso de avaliações orais, atividades práticas e modelos interativos.
“O aluno brasileiro consegue responder questões mais mecânicas, mas encontra dificuldade quando precisa interpretar contextos, levantar hipóteses e aplicar conhecimento em situações reais. A gente ainda ensina muito conteúdo e oferece pouco espaço para aplicação prática”.
Camila Karino
Ademar Celedônio acrescenta a necessidade de pensar outras formas de medir a qualidade de escolas além do vestibular, uma vez que uma instituição pode ter alto índice de aprovação e ainda assim não preparar os estudantes para desafios que enfrentarão no futuro fora das escolas.
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Podcast sobre Inteligência Artificial
Assista ao episódio do podcast do Brasil Escola sobre aplicações práticas da IA:
Por Jade Vieira
Jornalista
noticia por : UOL



