quarta-feira, 24, junho , 2026 03:11

Dia da Mulher na Diplomacia destaca sub-representação no poder global

Neste 24 de junho, a ONU marca o Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia. 

A data reconhece a contribuição e o papel delas, mas destaca as barreiras que as diplomatas ainda enfrentam para liderar espaços de decisões globais. Em todo o mundo, as mulheres ocupam menos de 25% dos cargos de Ministérios e gabinetes de governo.

Mulheres enfrentam barreiras estruturais

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, disse que todos devem fazer o possível para garantir que as mulheres tenham um lugar à mesa de decisão, que suas vozes sejam ouvidas e valorizadas.

Para a ONU, as mulheres são autênticas arquitetas da paz, defensoras da igualdade e líderes que moldam o futuro da cooperação global. Atualmente, todos os países de língua portuguesa são chefiados por homens.

A ONU News conversou com a ministra-conselheira da Missão de Portugal junto às Nações Unidas, Lídia Nabais. Formada em Direito, ela ingressou na diplomacia em 1998 e já trabalhou em vários países. Com uma experiência de quase três décadas, Lídia Nabais declara que as mulheres fazem a diferença neste ofício.

Participação plena

“As mulheres trazem uma sensibilidade especial àquilo que é a análise da paz e segurança. Porque, no fundo, eu julgo que as mulheres quando pensam em conflitos armados, pensam nos seus próprios filhos, nas suas mães, nos seus irmãos, pensam muito nas pessoas, mais do que os objetivos militares de um conflito.” 

As Nações Unidas afirmam que a garantia da participação plena, igual e significativa das mulheres em todos os níveis de tomada de decisão representa uma questão de equidade e um requisito para a liderança eficaz.

A participação significativa das mulheres na construção da paz, na mediação e na resolução de conflitos contribui para resultados mais inclusivos e duradouros.

Cotas e paridade

Cada vez mais países estão adotando a política de cotas para assegurar a participação de mulheres na política e outras áreas.

Sobre este tema, a ministra-conselheira de Portugal, Lídia Nabais, afirma que mudou de opinião, ao evoluir na carreira, e passou a defender o regime de cotas para que mulheres e homens possam obter a paridade de gênero.

“Tornei-me uma adepta porque, efetivamente, queremos ou não quando olhamos até para a sala da Assembleia Geral das Nações Unidas, vemos que ainda há uma grande preponderância de homens. E que a igualdade de gênero, porventura, necessita de um empurrãozinho pelo menos até rolar por si própria. E, de facto, julgo que este é um desafio que ainda temos neste Dia da Mulher na Diplomacia é examinar que mecanismos podemos dar para encorajar mais mulheres a integrar a carreira diplomática, tranquilizando-as quanto à possibilidade também de compatibilização desta vida exigente, de nômada, com a condição de uma vida pessoal e familiar normal. Mas também, como estimular, como incentivar um crescimento mais igualitário da progressão das mulheres na carreira.”

UN Women/ Nangyalai Tanai
Parlamentares afegãs participam de reunião sobre mulheres em cargos de tomada de decisão.

Influenciar decisões

A ONU lembra que as mulheres continuam sendo minoria ou ausentes em áreas influentes como relações exteriores, negócios, defesa e segurança na grande maioria dos países.

A organização incentiva governos, organizações e sociedade civil a promover a inclusão, eliminar barreiras estruturais e assegurar que as mulheres tenham oportunidades de influenciar as decisões que afetam comunidades, países e o mundo.

O Dia Internacional das Mulheres na Diplomacia foi criado pela Assembleia Geral em 2022. 

FONTE : News.UN