sexta-feira, 24, julho , 2026 12:49

Dois intelectuais franceses se rebelam contra a eutanásia

Quando a lei que introduz a ajuda ativa para morrer estava prestes a ser aprovada na França, o escritor Michel Houellebecq e Laurent Frémont, professor da Sciences Po e cofundador do grupo “Democracia, Ética e Solidariedade”, rebelaram-se em um artigo de opinião publicado na revista Le Point.

O texto da lei foi aprovado em três ocasiões pela Assembleia Nacional e rejeitado em outras tantas pelo Senado. Em 15 de julho, os deputados deram a palavra final em uma votação definitiva, sem possibilidade de emendas.

Houellebecq e Frémont começam lembrando a máxima de Toynbee de que as civilizações não morrem assassinadas: elas se suicidam. A metáfora se tornaria agora uma política oficial. “Antes que os deputados levantem a mão, talvez não seja inútil perguntar-se o que é uma civilização e como se reconhece que ela está chegando ao fim.”

Vico dedicou sua vida a investigar o que as nações têm em comum e destacou três elementos: religião, casamentos e sepulturas; e acresentou que humanitas procede de humare, sepultar: “A humanidade recebe seu nome pelo cuidado com os seus mortos”. Fustel de Coulanges comprovará isso na cidade antiga: antes da ágora, o túmulo. A humanidade começa aí: “no momento em que ainda se dá a quem já não devolverá nada”.