sexta-feira, 31, julho , 2026 07:39

Filósofa alerta para os perigos de transformar a eutanásia em “morte digna”

Kathleen Stock está acostumada a ser cancelada. Formada em Filosofia pelo Exeter College, em Oxford, com doutorado pela Universidade de Leeds, ocupou por 18 anos a cadeira de Filosofia na Universidade de Sussex, à qual renunciou em outubro de 2021 — não exatamente por vontade própria. Sua saída se deu após cerca de três semanas de protestos estudantis que exigiam sua demissão e de ameaças que motivaram investigação policial.

Seu crime: opor-se publicamente à substituição do sexo biológico pela identidade de gênero como critério legal e social e, por consequência, à presença de homens biológicos nos esportes e nos banheiros públicos femininos, bem como ao uso de expressões como “corpos que menstruam” para se referir às mulheres (à época, ela concedeu uma entrevista à Gazeta do Povo sobre o tema).

Cinco anos depois de Material Girls, obra na qual disseca a centralidade da biologia feminina para a eficácia de qualquer iniciativa em defesa das mulheres, a filósofa está de volta à arena — mais uma vez, com um tema candente. No último dia 15 de julho, a Assembleia Nacional francesa aprovou em caráter definitivo o direito à “ajuda para morrer”, e o texto seguiu para exame do Conselho Constitucional; no Reino Unido, o projeto de morte assistida foi ressuscitado em junho por uma deputada do Partido Trabalhista, com nova votação na Câmara dos Comuns marcada para setembro.

Na América Latina, o Uruguai aprovou sua Lei de Morte Digna em outubro de 2025, regulamentou-a em abril e realizou o primeiro procedimento em maio deste ano. Enquanto isso, “pioneiros” como Holanda, Bélgica e Canadá já encaram os resultados da descriminalização da eutanásia, com aumento expressivo na procura pela prática. É nesse pano de fundo que Kathleen Stock lança Do Not Go Gentle: The Case Against Assisted Death, ainda sem tradução para o português.