O pré-candidato à Presidência e senador, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), usou um broche em formato de tesoura nas cores verde e amarelo nesta quarta-feira (5) durante o anúncio, em Brasília, da escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor sua chapa puro-sangue como candidato a vice.
Segundo apurou a Folha, a escolha do símbolo faz referência ao “tesouraço” nas contas públicas defendido por Flávio desde o início de sua pré-campanha. É esperado que o senador apareça com o objeto em outros eventos até o pleito de outubro, para reforçar o mote.
Em meio à guinada da América do Sul à direita, a tesoura do presidenciável do PL mostra uma tentativa de repaginar a motosserra usada pelo ultraliberal Javier Milei em sua vitoriosa campanha na Argentina, em 2023, para emplacar seu plano de cortes radicais na máquina pública.
Flávio e Milei estiveram juntos durante a convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador, em 25 de julho. No palco, os dois dançaram ao som de uma música de rock usada em comícios do argentino, enquanto Flávio simulava cortes com uma grande tesoura.
Em aceno ao mercado financeiro, desde que foi indicado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para concorrer ao Planalto, o senador tem feito críticas à equipe econômica do presidente Lula (PT) e defendido fazer um “tesouraço” em impostos, ministérios e despesas, além de desburocratizar o Estado.
O uso da tesoura por Flávio já foi ironizado pelo presidente do PT, Edinho Silva. “Tem que começar usando a tesoura com a família dele. O Eduardo Bolsonaro [PL-SP] passou meses nos Estados Unidos recebendo sem trabalhar, por exemplo”, disse o petista, em janeiro deste ano.
Flávio mencionou, em sabatina ao Antagonista na terça (4), que, caso seja eleito, pretende reduzir a alíquota de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), zerar o imposto de importação do petróleo e rever o Imposto Seletivo para ultraprocessados e o arcabouço fiscal, dentre outras medidas.
Em entrevista à Folha, o coordenador da pré-campanha do presidenciável do PL, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse em março que o atual modelo econômico está “estourando”. Prometeu mudanças e afirmou que as reformas da Previdência (2019) e trabalhista (2017) seriam “revisitadas”.
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noticia por : UOL



