quinta-feira, 6, agosto , 2026 07:02

Após a saída de Hassabis, o Google busca um foco mais preciso em IA

O Google tem mais frentes abertas envolvido em mais áreas da corrida pela inteligência artificial (IA) do que qualquer outra grande empresa de tecnologia. De seus próprios chips especializados e plataforma de nuvem aos seus modelos de ponta e resultados de busca, a companhia construiu uma posição ampla no setor de IA. Mas essa própria amplitude expôs a necessidade de um foco estratégico mais definido.

Essa é uma das mensagens deixadas pela reformulação no comando de seus principais executivos de IA nesta semana. Demis Hassabis se afastou da gestão diária da pesquisa em IA, ao mesmo tempo em que quatro importantes nomes da área, incluindo o veterano engenheiro Jeff Dean, deixaram a empresa para criar sua própria startup de IA.

Uma mensagem ficou clara: o Google ainda busca a melhor forma de organizar seus consideráveis recursos enquanto tenta manter uma vantagem na pesquisa de IA de fronteira.

Ao mesmo tempo, a turbulência aponta para as novas oportunidades criadas pela expansão dos limites do desenvolvimento da IA. Os grandes modelos de fronteira estiveram no centro da disputa, mas isso está mudando à medida que a diferença entre os líderes diminui e modelos chineses mais competitivos ganham espaço. Em vez disso, a atenção está se voltando para novos sistemas baseados em agentes, com potencial para transformar amplas áreas de pesquisa e trabalho intelectual. Para os executivos que deixaram o Google, esse pareceu um momento bom demais para ser perdido.

O Google DeepMind, organização de IA liderada por Hassabis, que agora terá o executivo como presidente do conselho, reuniu suas operações no início de 2023, em um momento em que o Google enfrentava o impacto do lançamento do ChatGPT. O movimento envolveu a fusão de seus diferentes esforços de pesquisa em IA em um laboratório de fronteira com amplo mandato para competir com OpenAI e Anthropic.

Três anos depois, essa estrutura parece pronta para ajustes. Embora Hassabis tivesse o título de CEO, seu substituto será um vice-presidente sênior, indicando menor autonomia na operação da unidade e maior alinhamento com outras divisões do Google. Hassabis afirmou que estava se afastando para “se concentrar na visão geral”, assumindo uma função mais ampla que inclui o cargo de cientista-chefe da holding controladora do Google, a Alphabet.

A mudança parece fazer parte de um esforço mais amplo para concentrar recursos no Gemini (nome tanto do modelo avançado de IA de fronteira do Google quanto do aplicativo voltado ao consumidor que funciona sobre ele). Já havia sinais de que a empresa estava transferindo pesquisadores de IA para trabalhar no Gemini, afastando-os de outras prioridades. Ao explicar as mudanças executivas, o CEO Sundar Pichai reconheceu que havia “áreas em que precisamos melhorar”.

Faz pouco mais de um ano que o Google desenvolveu pela primeira vez um modelo de fronteira capaz de competir em nível semelhante ao da OpenAI e da Anthropic, reduzindo preocupações de que a empresa estivesse ficando para trás e impulsionando uma forte alta no preço de suas ações. Agora, porém, o Gemini é visto como novamente atrás dos concorrentes e tendo perdido espaço no mercado em expansão de agentes de IA para programação.

A turbulência nos altos escalões de IA do Google também sugere que as capacidades dos principais modelos de IA podem estar chegando a um importante ponto de transição: a inteligência artificial geral (AGI). Hassabis afirmou que queria dedicar mais tempo à AGI, que, segundo ele, estaria “próxima”. Embora haja pouco consenso sobre o que exatamente esse suposto avanço no desenvolvimento da IA representará, os principais modelos já estão abrindo novas possibilidades significativas para a pesquisa.

Um sinal disso foi a saída de Dean e de outros três importantes nomes da IA do Google. A nova startup deles, Discovery Loop, pretende transformar grandes áreas da pesquisa científica ao automatizar o processo científico básico. Eles não estão sozinhos na crença de que a IA atingiu um nível em que sistemas de IA baseados em agentes como esse podem revolucionar a pesquisa científica. A Anthropic anunciou uma iniciativa semelhante, chamada Claude Science, em junho. Hassabis, por sua vez, afirmou que também estará “se dedicando mais” ao trabalho de liderança da Isomorphic Labs, uma startup de descoberta de medicamentos criada por ele dentro da Alphabet em 2021.

Com o surgimento de sistemas baseados em agentes para atuar em áreas como essas, a fronteira competitiva da IA está mudando. Cada vez mais, ela está nos softwares de “estrutura” que controlam como os agentes de IA acionam e aplicam modelos de fronteira, além dos dados adicionais usados para ampliar seu conhecimento em áreas específicas.

Programação, pesquisa científica e formas gerais de trabalho intelectual (por meio do Claude CoWork) estão entre os campos em que os agentes de IA já estão atuando. Esses limites provavelmente vão se expandir rapidamente. Elon Musk, por exemplo, afirmou nesta semana que seu modelo de fronteira, Grok, está sendo treinado com todo o conjunto de dados de engenharia da SpaceX na tentativa de torná-lo o melhor sistema de IA para uso em engenharia.

Enquanto o Google reformula sua liderança em IA, uma nova fase de mudanças está em andamento

noticia por : UOL