Igrejas da Libéria acolheram o pedido de desculpas do exército do país por um massacre de civis ocorrido durante a guerra civil, mas enfatizaram que a justiça deve ser feita. O exército reconheceu publicamente as atrocidades cometidas por seus soldados há 36 anos.
O que aconteceu
O pedido de desculpas foi feito pela primeira vez pelo exército da Libéria em relação aos crimes cometidos em 1990 na Igreja Luterana de São Pedro, em Monróvia, onde centenas de civis buscaram refúgio e foram mortos. Estima-se que cerca de 600 homens, mulheres e crianças foram assassinados quando soldados do governo invadiram o local e abriram fogo.
Reações ao pedido de desculpas
Oscar Mulbah, assistente do ministro da Defesa para assuntos públicos, declarou: “Eu gostaria de dizer em nome do meu chefe que lamentamos nosso passado sombrio. Este é o momento de mostrar que escolhemos a esperança em vez do medo”. Ele também afirmou que o exército é leal ao povo e ao estado, e que respeita o estado de direito e a dignidade humana.
Sobre o pedido de desculpas, representantes de sobreviventes presentes na cerimônia de comemoração expressaram que a declaração é significativa, pois reconhece o que ocorreu, mas ressaltaram que a justiça foi adiada por tempo demais. Eles pedem que os legisladores da Libéria aprovem a criação de um Tribunal de Crimes de Guerra e Econômicos, que está em discussão há muito tempo.
O contexto histórico
O massacre na Igreja Luterana de São Pedro é considerado um dos capítulos mais sombrios da Primeira Guerra Civil da Libéria, que ocorreu entre 1989 e 2003. O ataque chocou a comunidade internacional e se tornou um símbolo da violência indiscriminada que devastou o país durante os conflitos.
A Igreja Luterana tem trabalhado por décadas para preservar a memória das vítimas e tem pressionado os governos sucessivos a buscar justiça pelos crimes cometidos durante a guerra.



