domingo, 16, agosto , 2026 05:25

Genro de Trump se reúne com líder do Hamas para tentar salvar acordo de paz em Gaza, diz agência


Jared Kushner, genro de Donald Trump, e sua mulher, Ivanka, filha do presidente dos EUA, em foto de fevereiro de 2026.
REUTERS/Carlos Barria/File Photo
Jared Kushner, negociador dos Estados Unidos e genro do presidente Donald Trump, realizou uma reunião rara com o chefe do grupo terrorista Hamas neste domingo (16), segundo a agência de notícias Associated Press.
O encontro faz parte de um novo esforço diplomático para destravar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, disse a agência.
Kushner deve se reunir com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta segunda-feira (17).
As negociações tentam salvar um novo plano de 15 pontos, apoiado pelos EUA, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada de Israel do território palestino, devastado pela guerra.
Agora no g1
Estão em jogo as vidas de cerca de 2 milhões de pessoas e a reconstrução do enclave, atualmente controlado em grande parte por forças israelenses, mais de 10 meses após o fim das principais operações militares.
O encontro no Egito com o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, foi confirmado à AP por autoridades sob condição de anonimato. Kushner liderou um trio de enviados dos EUA em uma reunião que também contou com representantes do Egito, Catar e Turquia — países que atuam como mediadores.
No ano passado, uma reunião semelhante ajudou a costurar o cessar-fogo. No entanto, os avanços estagnaram devido ao impasse sobre o desarmamento do grupo terrorista.
Na semana passada, Netanyahu rejeitou o plano de 15 pontos, em uma rara demonstração pública de oposição ao governo Trump, principal aliado de Israel.
Agora, Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e o diretor do Conselho de Paz criado pelos EUA, Nickolay Mladenov, devem se reunir com o premiê israelense a portas fechadas.
Antes da reunião, potências regionais, incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, emitiram um comunicado condenando a postura de Israel. O documento afirma que o país “agora tem a responsabilidade por obstruir os esforços para trazer a paz a Gaza”.
O texto, assinado também por Jordânia, Paquistão, Indonésia e pelos países mediadores, pede que os EUA tomem “medidas imediatas e concretas” para evitar que qualquer das partes bloqueie a implementação do acordo.
Segundo a AP, o objetivo de Kushner ao se encontrar com al-Hayya foi garantir o compromisso do Hamas com o desarmamento antes da conversa com Netanyahu.
Um integrante do Hamas afirmou que o grupo está comprometido com o plano e aguarda o início de um período de 14 dias de negociações para definir um cronograma. Essa etapa, porém, exige a aprovação de todas as partes envolvidas.
O grupo terrorista Hamas exige que Israel paralise os ataques e recue suas tropas para a chamada “linha amarela” — uma divisão territorial que nunca foi definida com precisão — antes que o acordo seja implementado.
Atualmente, as forças israelenses ultrapassaram essa marca e controlam cerca de 60% de Gaza. Em maio, Netanyahu declarou que o próximo passo seria chegar a 70% de controle, “apertando o cerco” contra o grupo.
Impasse sobre o desarmamento
Procuradas, a Casa Branca e o Instituto Tony Blair não comentaram as negociações.
Pelo plano, o Hamas entregaria suas armas a um comitê tecnocrata palestino encarregado de administrar Gaza. O grupo, no entanto, condiciona a entrega de seu armamento mais pesado à criação de um Estado palestino, proposta rejeitada pelo atual governo de Israel.
O cronograma prevê um desarmamento gradual, simultâneo à retirada das tropas israelenses. Netanyahu, contudo, afirma que Israel não recuará de nenhuma posição até que o Hamas esteja totalmente desarmado.
Essa divergência paralisa outros pontos cruciais do acordo, como a reconstrução de Gaza e o envio de forças internacionais para atuar no território.
Eleições em Israel
O primeiro-ministro de Israel enfrenta um cenário político delicado, com eleições marcadas para 27 de outubro. Ele tenta se manter no poder apoiado por uma coalizão que inclui ministros da linha-dura.
Além disso, o país se aproxima do aniversário dos ataques de 7 de outubro de 2023, que deram início à guerra.
Em resposta às críticas das potências árabes, o partido de Netanyahu, o Likud, declarou neste domingo que os países vizinhos querem derrubar o atual governo para favorecer candidatos de centro e centro-esquerda. “Eles dariam tudo o que querem. Isso não vai acontecer”, afirmou a legenda.
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Fonte: G1