domingo, 16, agosto , 2026 06:13

Governo Trump estuda impor novas sanções a Alexandre de Moraes, diz jornal inglês

O governo dos Estados Unidos estuda impor novas sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), segundo informações do jornal inglês Financial Times.

A reportagem afirma que as medidas contra Moraes voltaram a ganhar força após o ministro autorizar ações de busca e apreensão contra informantes do jornalista Luís Pablo, do Maranhão, que publicou textos sobre o ministro Flávio Dino e também foi alvo de buscas determinadas pelo magistrado.

Nos últimos meses, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seu filho Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, já vinham pedindo a membros do governo americano a retomada das sanções contra Moraes. Entre os defensores da medida estão o empresário Paulo Figueiredo e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que mantêm interlocução com integrantes da administração Trump.

Agora, segundo o Financial Times, o caso do jornalista do Maranhão despertou a atenção do governo dos EUA porque envolve uma discussão sobre liberdade de imprensa no Brasil.

Se confirmadas, as novas sanções abririam mais uma frente de desgaste na relação entre os dois países.

O ministro e sua mulher, Viviane Barci, já haviam sido alvos de sanções dos EUA. Em julho do ano passado, a gestão Trump enquadrou o magistrado na Lei Magnitsky, que prevê uma série de restrições a acusados de graves violações de direitos humanos.

O argumento do governo americano na época era o de que Moraes cometeu “graves abusos de direitos humanos” como relator do processo que investigou a trama golpista das eleições de 2022, que resultou na condenação e prisão do ex-presidente Bolsonaro.

As sanções incluíam a proibição de entrada nos EUA, o congelamento de bens no país e o bloqueio de transações comerciais e financeiras entre pessoas ou empresas dos EUA e os alvos da medida.

As restrições foram retiradas em dezembro do ano passado, e Moraes agradeceu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo empenho pela derrubada da medida.

A tensão na relação diplomática entre os dois países subiu nas últimas semanas. O Brasil é um dos principais alvos do tarifaço imposto por Trump. Além disso, o governo americano classificou as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

Outro impasse envolve a indicação do diplomata Daniel Perez, escolhido por Trump para assumir a embaixada do país em Brasília.

O governo americano subverteu a praxe diplomática e anunciou o nome de Perez antes de haver o aceite formal do Brasil –procedimento conhecido como agrément. O presidente Lula tem reiterado que só vai analisar o aval ao novo embaixador após as eleições de outubro no Brasil.

Diante da demora, os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. O Departamento de Estado americano classificou a decisão como uma medida recíproca e afirmou que a diplomata continuará reconhecida como representante oficial do Brasil.

noticia por : UOL