quarta-feira, 19, agosto , 2026 07:42

Justiça condena ex-CFO do Itaú a pagar R$ 2,83 milhões ao banco

O ex-diretor financeiro do Itaú Unibanco Alexandro Broedel foi condenado em primeira instância a pagar R$ 2,83 milhões à instituição em um caso de conflito de interesses envolvendo a contratação de pareceres contábeis.

O banco acusa o executivo de desvio de poder e gestão abusiva, conflituosa e irregular por supostamente embolsar parte de pagamentos a serviços contratados para a instituição financeira.

De acordo com o Itaú, Broedel, enquanto CFO do banco, contratava constantemente a consultoria de Eliseu Martins, reconhecido como um dos maiores contadores do país. No entanto, Broedel era sócio de Martins e, segundo o Itaú, ficava com 40% de todo o pagamento feito pela prestação de serviços.

Em nota, a defesa do executivo afirma que vai recorrer da decisão e que ele “sempre se conduziu de maneira ética e transparente ao longo dos 12 anos em que trabalhou no Itaú Unibanco e seguirá tomando todas as medidas judiciais para provar isso”.

Em decisão protocolada nesta terça-feira (18), o juiz André Salomon Tudisco, da 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem também deliberou o pagamento das custas, despesas processuais e honorários advocatícios por Broedel ao Itaú.

O juiz considera que o banco tinha ciência da existência da consultoria de Broedel, mas não há provas de que também tivesse conhecimento do arranjo associativo informal mantido entre Eliseu Martins e o ex-CFO.

“Também ficou demonstrado que o réu Alexsandro (assim como a ré Broedel Consultores) se beneficiou diretamente das contratações, recebendo valores transferidos por Eliseu”, diz a sentença.

Segundo cálculos do banco, foram R$ 13,2 milhões pagos para a consultoria, dos quais R$ 4,86 milhões teriam sido creditados em favor de Broedel.

Como uma parte desses pagamentos já prescreveu, o banco pedia a devolução de R$ 3,35 milhões, com acréscimos legais e moratórios. Em outro processo, o banco pedia mais R$ 6,64 milhões.

O juiz entendeu haver uma limitação de cobranças relativas a mais de três anos, com base na Lei das SAs. Dessa forma, o valor original pedido pelo Itaú, de R$ 3,35 milhões, caiu para o total de R$ 2,38 milhões.

“Em uma de duas ações cíveis movidas pelo Itaú Unibanco, Alexsandro Broedel teve vitória total, quando a Justiça reconheceu que o banco não provou que os serviços de consultoria não foram prestados, algo que a instituição alegou repetidamente”, disse a defesa do executivo em nota.

No processo sobre o conflito de interesses em que Broedel teve sua defesa acolhida parcialmente, ele irá recorrer da decisão. Também vai recorrer da decisão sobre a remuneração variável que não lhe foi paga pelo Itaú.

O ex-diretor financeiro diz que o Itaú teria deixado de pagar ao executivo uma quantia em torno de R$ 15,5 milhões referentes à sua remuneração variável de 2024. Procurado, o banco não comentou.

RELEMBRE O CASO

Em dezembro de 2024, o banco Itaú anunciou, em ata de assembleia-geral, que seu ex-diretor financeiro Alexsandro Broedel violou políticas internas e a legislação ao agir em “grave conflito de interesses e em benefício próprio” no relacionamento com um fornecedor de pareceres.

Segundo a ata, a conduta do ex-diretor foi alvo de apurações internas concluídas naquele novembro. Em julho daquele ano, o executivo pediu demissão do banco para assumir um cargo no Santander na Espanha.

O Itaú concluiu, a partir dessa investigação interna, que Broedel e Martins eram sócios desde 2012 em uma empresa cuja existência não foi informada à instituição financeira.

O Itaú afirma que desde janeiro de 2019, as empresas Care (que tem como sócios Eliseu Martins e seu filho Eric) e Evam (cujos sócios são Eliseu e os filhos Eric e Vinicius) fizeram 56 transferências ao executivo e sua empresa Broedel Consultores, sendo que 23 destas transferências, no valor total de R$ 4,8 milhões, se referem aos pagamentos do Itaú.

Em junho de 2025, o contador Eliseu Martins assinou um acordo com o Itaú para encerrar um imbróglio em que o banco o acusa de ter participado de uma fraude com o ex-CFO da instituição. Ele se comprometeu a pagar R$ 2,5 milhões para encerrar o caso.

“Preferi devolver o que me era devido e encerrar, aos 80 anos, essa maluquice. Principalmente pelo envolvimento injusto dos meus filhos”, disse Martins à Folha.

Em agosto do ano passado, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) abriu um processo para apurar a responsabilidade de Broedel na contratação de pareceres de Eliseu Martins e a acusação feita pelo banco de que ele receberia 40% dos pagamentos feitos à empresa de Martins.

noticia por : UOL