sexta-feira, 28, agosto , 2026 01:59

Campanhas políticas utilizam psicologia para influenciar escolha dos eleitores

A poucas semanas das eleições de outubro de 2026, candidatos como Lula e Flávio Bolsonaro ajustam suas estratégias de comunicação para atrair votos. Por trás dessas mudanças, existe um conjunto de técnicas psicológicas e de marketing que buscam moldar a percepção pública. Entender como funcionam esses gatilhos é fundamental para que o eleitor consiga separar a informação útil da manipulação.

O que é o enquadramento e como ele afeta a visão do eleitor?

O enquadramento é uma técnica que seleciona apenas um aspecto de um problema para que o público o veja primeiro, deixando outros pontos importantes escondidos na sombra. Um exemplo clássico ocorreu no referendo do desarmamento em 2005: enquanto um lado falava em reduzir mortes, o outro mudou o foco para o direito de defesa do cidadão. Essa estratégia explora o fato de que a mesma informação, apresentada de ângulos diferentes, pode levar a decisões opostas. Ela vira manipulação quando esconde propositalmente os custos reais ou as consequências negativas da opção apresentada.

Como os candidatos constroem personagens para parecerem mais amigáveis?

A construção de personagem realça traços verdadeiros do político e apaga outros para criar uma imagem específica, como o famoso ‘Lulinha paz e amor’ de 2002. Outra tática comum é o esforço para parecer ‘gente como a gente’, como comer pastel em feiras ou usar canetas baratas em cerimônias oficiais. O objetivo é criar conexão emocional com o povo. No entanto, existe um limite: se o personagem criado contradiz muito a biografia real do candidato, o eleitor tende a perceber a farsa. O público costuma aceitar quem não tem hábitos populares, mas rejeita quem finge gostar deles.

De que maneira a prova social e a autoridade influenciam o voto?

A prova social é o instinto de seguir o que a maioria faz, por isso as campanhas investem tanto em mostrar atos de rua cheios e pesquisas favoráveis. Já a autoridade é o uso do prestígio de terceiros, como líderes religiosos ou ex-presidentes, para transferir confiança ao candidato. A manipulação acontece quando esses apoios vêm de pessoas que não têm relação com o cargo em disputa ou quando se fabrica uma falsa popularidade através de militância paga e perfis falsos na internet. O eleitor deve sempre questionar se o apoio recebido tem base real na competência necessária para governar.