sábado, 29, agosto , 2026 04:04

Com maior patrimônio entre presidenciáveis, Cury defende criar 10 mil 'clubes de empreendedorismo'

O escritor Augusto Cury (Avante), 67, cogitou concorrer à Presidência em 2010, mas recuou por reação da família e projetos em andamento. Retomou a ideia agora dizendo acreditar que “pior do que a ação dos maus e dos que se corrompem é a omissão dos bons e daqueles que têm algo a contribuir”.

Com 2% das intenções de voto, segundo última pesquisa Datafolha, candidata-se sob o preceito de que o Brasil está “sequestrado” pelas famílias de Lula e Bolsonaro.

“Essa polarização que envenenou a nação brasileira e o mundo também, onde as famílias estão divididas, onde os casais não dialogam sobre política. As pessoas pouco discutem grandes ideias e ficam encasteladas nas suas verdades”, diz.

Foi a ausência dos candidatos à frente das pesquisas eleitorais, somada à descoberta de que Lula concederia entrevista à TV Record no mesmo horário, que causou revolta ao escritor, segundo ele, na frente da Band, minutos antes do primeiro debate com presidenciáveis, quando protagonizou um “vai-não vai”. Por fim, decidiu participar falando “em respeito à democracia” e aos jornalistas.

Para a televisão, levou, ao estilo dos livros de autoajuda, frases de efeito, ao mencionar que professores “são cozinheiros do conhecimento, que não têm apetite em razão da intoxicação digital” e que “a vida é bela e breve como gota de orvalho”.

Entre as suas propostas, destaca-se a defesa da criação de um Ministério do Empreendedorismo, com um “banco do empreendedor” oferecendo crédito de até R$ 20 mil a juros de 5% a 6% ao ano, e a implantação de 10 mil “clubes de empreendedorismo” em escolas, universidades e igrejas pelo país.

O Brasil já tem uma pasta federal com esse enfoque, criada em 2023 no governo Lula, o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, mas o plano de Cury não faz menção a essa estrutura já existente.

Dono de ao menos 14 propriedades rurais, segundo declarou à Justiça Eleitoral, define-se como um defensor do agronegócio. “Eu acho que eu sou o único candidato à Presidência do mundo que planta, que refloresta”, afirma, citando plantações próprias de mogno africano, seringueira e eucalipto, além de projetos de citricultura e fruticultura.

O patrimônio total do candidato é de R$ 242.281.162,52, o maior entre os presidenciáveis. É reservado sobre a origem do valor: diz ter vendido, nos anos 2000, uma editora que fundou, por valor “dezenas de vezes” maior do que pagou por ela, negócio cujos recursos, afirma, foram reinvestidos no agronegócio. Diz ter fundado também empresas na área educacional, com mais de 400 mil alunos, depois vendidas.

“São vários projetos que vêm durante os anos. Eu não quero entrar muito detalhe, sou muito discreto nessa área. Eu não amo poder”, diz.

Hoje se descreve como “o psiquiatra mais lido do mundo”: diz ter vendido mais de 40 milhões de livros, publicados em 70 países. É autor da teoria da inteligência multifocal, método de gestão emocional criado por ele em 1999 — cinco psiquiatras ouvidos pela Folha, de instituições como USP e Uerj, disseram não haver validação científica para a teoria.

Como prioridades, cita o fim da vitaliciedade de ministros do STF, com mandatos de oito anos; fim do presidencialismo em favor de um sistema com primeiro-ministro; adoção do voto distrital e fim da reeleição, que associa ao risco de perpetuação no poder e à corrupção.

“A reeleição promove a autoperpetuação no poder. Isso é seríssimo demais e flerta com a corrupção”, diz.

Cita como urgências sociais o feminicídio e os 6,7 milhões de jovens brasileiros que não estudam nem trabalham — “a era da desesperança”, diz. Também alerta para o que chama de “intoxicação digital” das redes sociais, fenômeno que associa à falta de esperança de jovens em todo o mundo.

“Eu quero olhar nos olhos do Mark Zuckerberg serissimamente e conversar com ele sobre o desastre que as redes sociais causou nos pré-adolescentes.”

Em um dos seus maiores sucessos comerciais, “O Vendedor de Sonhos: O Chamado” (2008), criticou o capitalismo e o que chamou de “miseráveis morando em palácios”. Hoje, diz manter a crítica, mas defende que o capitalismo “precisa ser distribuído”.

“O Brasil é viciado em rentismo, em juros. Deveria ser viciado em produção. É por isso que todo grande empresário deveria investir em bolsa de valores, novas empresas, em tecnologia, que é o que eu sempre fiz”, diz.

Cury é casado, pai de três filhas, mora no interior de São Paulo, em cidade que mantém em sigilo por segurança.

noticia por : UOL