quarta-feira, 16, setembro , 2026 10:24

Prédio desaba em Gaza e mata ao menos 20; ministro de Israel ameaça retomar guerra e expulsar palestinos

Um prédio que havia sido danificado por um ataque aéreo na Faixa de Gaza desabou nesta quarta-feira (16) e matou ao menos 20 pessoas, incluindo 5 crianças. Dezenas estão desaparecidas e presas sob os destroços, segundo a Defesa Civil do território, controlada pelo grupo terrorista Hamas.

Equipes de resgate realizam buscas para tentar encontrar pessoas com vida.

O prédio tinha sete andares, com quatro apartamentos residenciais por piso, e havia sido atingido va´rias durante a guerra nos últimos dois anos, o que comprometeu sua estrutura e provocou o desabamento, segundo a Defesa Civil.

As autoridades recomendaram que os moradores não retornassem ao edifício, mas muitos decidiram correr o risco. Estima-se que ao menos dez famílias viviam no local.

“Eles não têm outra opção. Sem tendas ou moradias disponíveis, estão vivendo em prédios rachados e danificados, apesar do risco de desabamento”, disse à AFP Mahmud Basal, porta-voz da Defesa Civil.

Um vídeo obtido pela Reuters mostrou equipes de resgate tentando retirar duas pessoas debaixo de uma parede desabada. Outro vídeo publicado nas redes sociais mostrou Basal carregando uma menina enrolada em um lenço manchado de sangue.

A maior parte dos edifícios em Gaza foi destruída pelos bombardeios israelenses, e há cerca de 2.000 edifícios danificados que correm o risco de desabar, segundo a Defesa Civil.

Em paralelo, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta quarta que é apenas uma questão de tempo até que o país retome a guerra em larga escala em Gaza e comece a expulsar os cerca de 2 milhões de palestinos do território.

Katz disse que o cessar-fogo de outubro de 2025, mediado por Donald Trump, foi essencial para o retorno dos reféns. Mas, como o desarmamento do Hamas, previsto no acordo, “não vai acontecer”, afirmou que o Exército está pronto para retomar a ofensiva e implementar o plano de expulsão de palestinos.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, negou qualquer plano de “deslocar pessoas para fora de Gaza contra sua vontade”.

O escritório de imprensa do governo de Gaza, também controlado pelo Hamas, atribuiu o desabamento aos atrasos na reconstrução prometida para o território.

Israel permitiu a entrada de mais ajuda em Gaza desde o anúncio do cessar-fogo em outubro. O Exército israelense, porém, continua realizando ataques e restringe a entrada de equipamentos, como kits de DNA e escavadeiras, que dificultam a localização e identificação dos mortos.

Em alguns casos, equipes palestinas precisam retirar os escombros com as próprias mãos. Segundo Israel, esses equipamentos também poderiam ter uso militar.

Alessandro Mrakic, chefe do escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em Gaza, disse que algumas agências da ONU estavam participando dos esforços de resgate, que ele descreveu como difíceis devido à falta de maquinário adequado. A agência de ajuda humanitária do Egito também estava ajudando.

“A situação, como vocês podem ver, é trágica porque não temos os equipamentos e o maquinário necessários. Então, na verdade, há pessoas cavando com as próprias mãos”, disse Mrakic.

CRIMES DE GUERRA

Desde novembro de 2025, a Defesa Civil palestina diz ter recuperado mais de 630 corpos e restos humanos debaixo de prédios destruídos. Autoridades palestinas estimam que mais de 8.000 pessoas ainda estejam soterradas.

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, disse na terça-feira (15) que a retirada de centenas de corpos reacendeu preocupações sobre possíveis crimes de guerra.

Segundo ele, restos mortais de famílias inteiras estão sendo encontrados entre os destroços, muitos deles de mulheres e crianças. “É de partir o coração que os familiares dos desaparecidos há tanto tempo só agora estejam tendo seus piores temores confirmados”, afirmou Türk.

As descobertas reforçam preocupações já apontadas em um relatório da ONU de 2024, segundo o qual ataques israelenses contra prédios residenciais e outros locais civis nas primeiras semanas da guerra podem ter violado o direito internacional humanitário.

Israel rejeita as acusações de atacar civis deliberadamente. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, acusou Türk de ignorar os abusos do Hamas e de responsabilizar Israel antes da conclusão dos fatos. Segundo Israel, o Hamas opera em áreas civis e utiliza a população como escudo humano — acusação negada pelo grupo.

A ONU pede que investigadores internacionais tenham acesso a todas as áreas de Gaza para preservar evidências.

noticia por : UOL